sábado, 10 de janeiro de 2026

Caro Ministro Ricardo Lewandowski

Neste encerramento da gestão de Vossa Excelência à frente do Ministério da Justiça e Segurança Pública, é oportuno registrar os avanços alcançados nesses dois anos de trabalho incansável. 
Sua trajetória foi marcada por um compromisso inabalável com a ética, a transparência e a defesa dos direitos fundamentais, sempre com um olhar atento às necessidades dos mais vulneráveis.
Em um período repleto de desafios, sua gestão enfrentou questões complexas que exigiram não apenas habilidade técnica, mas também um profundo senso de espírito público. 
Sob sua liderança, a pasta da Justiça e a Segurança Publica apresentou propostas de reformas essenciais, que evidenciaram a sua habilidade em promover a união em prol de objetivos republicanos. Cada ação representou um passo firme rumo a um sistema de  justiça e segurança pública mais acessível e equitativo.
Sem dúvida, os êxitos conquistados sob sua liderança foram notáveis e servirão de legado para as futuras gerações. 
Como seu discípulo e admirador, agradeço pela inspiração e modelo de integridade, sempre colocando o interesse público em primeiro lugar.
Desejo-lhe sucesso nos seus novos desafios. Esteja certo que a sua contribuição ao Brasil será sempre lembrada com gratidão e respeito.
Com estima,

*Jorge Messias, Advogado-Geral da União.

terça-feira, 30 de dezembro de 2025

MARÇAL ─ POESIA CANTADA


A MARÉ

V O L Á T I L

F U N D I Ç Ã O
*Música de Dinho Caninana
 
SOMOS IGUAIS
Somos iguais irmãs tristonhas
Nunca e Jamais
De nossos pais férteis insônias
Tão conjugais
Gestos vitais por entre as fronhas
Vetoriais, vetoriais, ai, ai...
Somos iguais dois sem-vergonhas
Dois amorais
Somos iguais vagas begônias
Em seus quintais
Dimensionais cotiledôneas
Tão desiguais, tão desiguais, ai, ai...
Florescerás pelos teus diferenciais
E então serei mono pra ti entre os mortais
Entre os mortais, ai, ai, ai, ai...

T O C A I A

Por que o susto, bem amada?
Por que te espantas assim?
Eu nem sabia quem eras
Eu nem sabia onde estavas
Mas senti que ordenavas
Que eu viesse
Então eu vim...

Apenas eu em paz
E o meu olhar de paz
Penetrando a carne dos teus olhos
Como fazias quando rondavas o infinito
Em busca de mim...

Rondavas o infinito em busca de mim.
(M. Arreguy/D. Caninana)

segunda-feira, 22 de dezembro de 2025

MENSAGENS BÍBLICAS


Agora percebo verdadeiramente que Deus não trata as pessoas com parcialidade, mas de todas as nações aceita todo aquele que o teme e faz o que é justo. 
Vocês conhecem a mensagem enviada por Deus ao povo de Israel, que fala das boas-novas de paz por meio de Jesus Cristo, Senhor de todos. 
Todos já sabem o que aconteceu na Judeia, começando na Galileia, depois do batismo que João pregou, como Deus ungiu Jesus de Nazaré com o Espírito Santo e poder e como ele andou por toda parte fazendo o bem e curando todos os oprimidos pelo Diabo, porque Deus estava com ele. 
Nós fomos testemunhas de tudo o que ele fez na terra dos judeus e em Jerusalém, onde o mataram, suspendendo-o num madeiro. Deus, porém, o ressuscitou no terceiro dia e fez que ele fosse visto, não por todo o povo, mas por testemunhas que designara de antemão, por nós que comemos e bebemos com ele depois que ressuscitou dos mortos. 
Ele nos mandou pregar ao povo e testemunhar que foi a ele que Deus constituiu juiz de vivos e de mortos. 
Todos os profetas dão testemunho dele, de que todo o que nele crê recebe o perdão dos pecados mediante o seu nome.

─ Atos dos Apóstolos 10, 34-43.

terça-feira, 23 de setembro de 2025

O LEGADO DE ALBERTO PASQUALINI


A partir da segunda metade do século XX o Brasil deixou de ser uma economia essencialmente rural para se transformar no país mais industrializado da América Latina. Apesar desta mudança, quase todos os malefícios e prejuízos sociais denunciados no passado pelo professor, advogado e político Alberto Pasqualini (1901/1960) permanecem atuais, desafiando o futuro da sociedade brasileira.
Apesar de toda a modernização e do incremento econômico impulsionado pela explosão demográfica ação do sistema capitalista, a injustiça social ainda prevalece em muitos bolsões populacionais, tanto no campo como nas cidade, na maioria das vezes sob os auspícios do descuido e do desvio governamental, promovendo um inchaço de comunidades pobres e desorganizadas, que não conseguem sequer resolver seus problemas mais básicos.
Numa perspectiva de valorização do trabalho como força motriz das sociedades humanas, até hoje não existe efetivamente no Brasil a consciência cultural de que o suor do trabalhador merece remuneração digna e deve estar sempre no centro das discussões das atividades econômicas. Os trabalhadores comuns continuam ganhando mal e perdendo cada vez mais seus direitos sociais e trabalhistas, que foram conquistados através de lutas políticas históricas. E os poucos direitos que ainda conservam são muitas vezes desrespeitados, fraudados e sonegados.

"O trabalho é a fonte original e principal dos bens; portanto é a causa principal do valor de quase todos os bens". 

Assim preconizava Pasqualini na sua cruzada em defesa dos direitos do trabalhador brasileiro, que no seu tempo não tinha voz nem vez e só vislumbrava a miséria diante dos olhos.

I

Nascido em 23 de setembro de 1901, em Vale Veneto, hoje município de Ivorá, no Rio Grande do Sul, filho de descendentes italianos, Pasqualini passou toda a infância e juventude no meio rural, até ingressar em 1915 no curso ginasial do seminário Nossa Senhora da Conceição, em São Leopoldo. Iniciou o curso de Magistério no Colégio Anchieta de Porto Alegre em 1919, onde veio a se destacar como aluno brilhante. 
Formou-se em direito pela Faculdade de Porto Alegre em 1929 e foi o Orador da sua turma. Em seu discurso de formatura já se destacavam os temas que iriam nortear toda a sua trajetória política e intelectual: a busca da Justiça e a discussão das doutrinas sociais.
Participou da Revolução de 1930 e foi comissionado no posto de major-fiscal da unidade militar do cais do porto de Porto Alegre. Em 1932, instalou sua banca de advogado no centro de Porto Alegre, mostrando desde logo a sua competência profissional e o seu conhecimento profundo das ciências jurídicas. Durante os anos de 1934 e 1935, confirmando sua vocação para o Magistério, lecionou nas cadeiras de Introdução à Ciência do Direito e Direito Civil, na Faculdade de Porto Alegre.
No período do Estado Novo, elegeu-se vereador na capital gaúcha e destacou-se por sua dedicação aos estudos das questões administrativas da cidade. Foi convidado em 1939, pelo general Cordeiro de Farias, interventor federal no Estado, a integrar o departamento administrativo criado pelo governo federal para fazer as vezes de assembleia legislativa, desativada pelo governo ditatorial de Vargas.
Em setembro de 1943, tomou posse como secretário do interior, pasta à qual eram entregues os assuntos de segurança pública e de justiça. Ao assumir o cargo em plena ditadura, no qual permaneceu até julho de 1944, conseguiu escapar do rígido controle político que era exercido pelo regime, conseguindo fazer que circulassem no Rio Grande do Sul alguns livros que estavam proibidos no resto do país, como, por exemplo, Fronteira Agreste, de Círio Martins.
Exemplo de honestidade e independência, Pasqualini não admitia a imoralidade administrativa e condenava o primitivismo político caracterizado por formações partidárias que atuam em função de pessoas e de interesses menores. Homem de partido, foi um dos fundadores do antigo Partido Trabalhista e em diversas oportunidades enfatizou o papel fundamental dos partidos políticos para o amadurecimento institucional do país.

"Um verdadeiro partido político não pode ter apenas objetivos eleitorais, porque, na essência, é instrumento de mobilização social, de difusão de ideias e de educação do povo". 

II

Alberto Pasqualini criticava abertamente o clientelismo político e o empreguismo apaziguado na administração pública. Considerava a vida pública um dever e um sacerdócio e foi sempre um crítico implacável dos políticos oportunistas e fisiológicos que até hoje infelicitam o nosso país. Nas suas campanhas eleitorais, fazia questão de dizer que, mais importante que a sua própria eleição, era convencer o eleitorado da justeza de suas propostas. Democrata convicto, acreditava no embate de ideias e na plena liberdade de expressão. 

"Os verdadeiros estadistas, os que têm a consciência tranquila, não receiam a discussão dos seus atos e a análise da sua conduta, pois fácil será confundir os que criticam se estiverem errados e, se tiverem razão, felicidade deverá ser para o governante, digno desse nome, descobrir os seus erros e ter a oportunidade de corrigi-los".

Seu conceito de reforma agrária era de que a propriedade não pode ser objeto de especulação, devendo estar condicionada ao seu melhor uso, do ponto de vista econômico e social. Para tanto, defendia a adoção de cooperativas, a construção de colônias agrícolas providas de assistência social, educacional e hospitalar e a concessão de financiamentos especiais aos pequenos agricultores. 
Nacionalista, entendia que as riquezas do subsolo e as fontes naturais de energia são patrimônios coletivos, que devem ser explorados tendo em vista os interesses de toda população, e não do lucro do capital privado.
Em 1945, recusou a indicação para ministro do Supremo Tribunal Federal e candidatou-se no ano seguinte ao governo do Estado do Rio Grande do Sul. Durante a campanha, seus adversários políticos distribuíram panfletos nas zonas de colonização alemã e italiana, advertindo que ele seria um candidato ateu e comunista. 
Lamentavelmente Pasqualini perdeu a disputa por uma margem de apenas 20 mil votos, mas em 1950 foi eleito senador na campanha que reconduziu Getúlio Vargas à presidência da República. Nos anos que passou no Senado, prestou relevantes serviços ao país, oferecendo ao partido trabalhista o substrato teórico-ideológico das chamadas "Reformas de Base".

III

Outra grande batalha de Pasqualini foi a criação e a implantação de uma empresa estatal do petróleo, tendo sido relator do projeto de criação da Petrobrás em 1953. No entanto, devido ao clima político internacional daquele tempo, caracterizado pelo fenômeno histórico da "Guerra Fria", sua posição ideológica nunca foi bem compreendida.
Os conservadores diziam que as propostas de Pasqualini eram uma forma de comunismo enrustido, que ele não tinha coragem de assumir o marxismo e por isso adotava uma fantasia democrática. Por outro lado, os progressistas também o criticavam, afirmando que suas ideias faziam a defesa da permanência do capitalismo selvagem, o que, em suma, significava acusá-lo de inocente útil e imobilista.

"Se por socialismo se entende simplesmente a socialização dos meios de produção, não somos socialistas; se entender-se, porém, de uma crescente extensão da solidariedade social e uma crescente participação de todos, nos benefícios da civilização e da cultura, então somos socialistas. Da mesma forma, se por capitalismo se entender individualismo, egoísmo e tradicionalismo, não somos capitalistas; se, porém, se entender uma função social que se exerce para o crescente progresso econômico e social da coletividade, então somos capitalistas".

Diferenciando-se dos demais políticos de sua época, pela densidade de seus conhecimentos e pelo rigor dos seus estudos, Pasqualini ofereceu um valioso substrato intelectual para a formação da consciência política nacional. Preferiu o combate em favor da justiça social à glória e à riqueza que seu talento intelectual certamente lhe asseguraria. Em sua avaliação humanista do mundo, tinha a certeza de que o destino do homem é a felicidade, que só será alcançada através da liberdade, da justiça e da educação.
Defendia o direito de acesso ao conhecimento, como ferramenta essencial para eliminar as fronteiras entre pobres e ricos, porque, afinal, “somos todos companheiros do mesmo destino humano”. Seu legado intelectual é um tesouro farto e inesgotável e a evolução da sociedade brasileira mostrará que, quanto mais o lermos, o ouvirmos e o lembrarmos, mais justos e mais irmãos seremos.

─ O Senado Federal promoveu em 1994 a publicação do livro "Alberto Pasqualini – Obra Social e Política", em quatro volumes, cujo objetivo imediato foi resgatar o plano ideário do grande pensador gaúcho. A reunião dos seus textos jornalísticos e dos seus pronunciamentos políticos tornou-se também um importante documento histórico sobre a vida pública e intelectual brasileira entre as décadas de 1930 a 1960.

quarta-feira, 27 de agosto de 2025

INVERSÃO DE VALORES

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A aliança com as máfias clandestinas ─ incluindo, é claro, as "religiosas"  ─ sempre foi uma condição inerente (sine qua non) aos métodos políticos da extrema-direita. Um sinal explícito deste conluio é a própria ideologia da negação do Estado, concretizada em ações de sabotagem aos poderes públicos.
Há vários exemplos históricos dos reflexos que esta parceria macabra, seja no governo ou na oposição, pode provocar. A simpatia da população do sul estadunidense por figuras como Bonnie e Clyde, naqueles tempos cruciais da década de 1930, é um tipo de sintoma sociológico desta deturpação.
No Brasil o governo recorreu a grupos de cangaceiros para tentar rebelar a Coluna Prestes que peregrinava pelo interior do Nordeste. Outra referência sombria é a associação da polícia e do exército com o chamado “esquadrão da morte” na época da ditadura militar.
O mais cruel deste fenômeno ─ pode-se dizer também o mais revelador ─ é que esses “revoltados” da direita radical "anti-Estado" estão envolvidos até o pescoço com a estrutura estatal injusta e corrupta.
De fato é tentadora e muitas vezes justa uma posição contra os governos em geral; como diz o famoso ditado anarquista, "hay gobierno, soy contra".  Mas esta conduta não pode ser uma estratégia nefasta de inversão de valores, em boicote à ordem pública e aos ditames da lei. 
Em nome de uma falsa moral sustentada por slogans vazios como "Deus, pátria e família", o objetivo da extrema-direita é corromper a hegemonia da legalidade e da Constituição, minando os valores da democracia e, consequentemente, o bom convívio entre as pessoas, com estímulo ao ódio, à violência e ao desequilíbrio social.