domingo, 24 de maio de 2026

O FIM DOS BEATLES

Durante o período da beatlemania, nos primeiros anos da década de 1960, a grande mídia adorava elogiar e jogava o quarteto de Liverpool lá pra cima, sempre enaltecendo e louvando os trabalhos do grupo. 
Mas quando os quatro cabeludos ficaram maduros e começaram a compor músicas elaboradas com temas mais polêmicos, os meios de comunicação passaram a perseguir e a desmerecer a banda.
Jornalistas "especializados" também já estavam incomodados com o teor das novas canções como Norwegian Wood e Day Tripper, por exemplo, que faziam certas alusões ao sexo e às drogas.
Na excursão ao Japão em junho de 1966, a realização dos shows dos Beatles no ginásio sagrado das lutas marciais, o Budokan, havia gerado grandes protestos e questionamentos.
No mês seguinte o incidente nas Filipinas com o ditador Ferdinand Marcos foi o estopim desta virada de mesa, quando em apenas dois meses os Beatles passaram de herois a vilões.
De volta ao verão da Inglaterra para gravar o novo disco, estava sendo disputada no país a Copa do Mundo de futebol e para melhorar o clima a produção dos Beatles tentou fazer uma gravação promocional com Pelé, o superastro da grande seleção brasileira, bicampeã mundial de 1958 e 1962.
A comissão técnica do Brasil vetou a iniciativa, alegando que seria um fator de distração que causaria um grande rebuliço, prejudicando a concentração dos jogadores naquele tão importante torneio.
No início de agosto foi lançado o revolucionário disco Revolver, com músicas muito diferentes daquelas que os Beatles faziam, o que certamente chocou aqueles que esperavam alguma trilha ingênua do tipo "iê-iê-iê".
Ainda em agosto, uma revista dos Estados Unidos "requentou" uma entrevista já esquecida de John Lennon para um tablóide londrino, na qual na verdade ele reclamava do fanatismo pelos Beatles e da dissonância da instituição religiosa com os jovens, sugerindo que a banda seria mais popular do que o cristianismo.
Os fundamentalistas estadunidenses dessas seitas que criam figuras obscuras como o assassino de Lennon, encontraram nesta despretensiosa entrevista uma oportunidade de inverter o que ele havia dito para crucificá-lo, denunciando que ele havia declarado que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo.
Por causa disso alguns movimentos "religiosos" dos Estados Unidos organizaram reuniões em praças públicas para a queima coletiva dos discos e de qualquer merchandising que se referisse aos Beatles, como camisetas, posters e suvenires.
Durante a turnê pelos Estados Unidos neste mesmo mês de agosto, algumas organizações de fanáticos, como a clandestina Ku Klux Klan, faziam ameaças violentas de atentados nas cidades em que os Beatles se apresentavam.
Neste clima pesado o quarteto de Liverpool fez o último show da sua carreira, na cidade de San Francisco, Califórnia, no dia 29 de agosto.
Com a ausência de shows e um disco tão fora-da-curva como Revolver, no final de 1966 a mídia corporativa internacional convenientemente decretou o fim dos Beatles.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

PERSONALISMO SOCIOPÁTICO

O personalismo sociopático é um condicionamento psíquico marcado por um egocentrismo exacerbado, que demonstra desdém às normas sociais, com completa insensibilidade pelos sentimentos alheios. 
Existem muitas pessoas com esse tipo de perfil individualista ao extremo, as quais não sentem por isso nenhuma culpa ou remorso, focando-se exclusivamente nas suas vontades próprias.
Enquanto no plano individual esta condição está associada a um distúbio denominado Transtorno de Personalidade Antissocial, esse padrão comportamental possui dimensões mais específicas quando elevado ao patamar das relações sociais. 
A crença em salvadores da pátria, por exemplo, no âmbito da política eleitoral, é uma espécie de vício cultural que atinge muitas vezes o nível de uma verdadeira doença coletiva.
Seguem algumas características da postura de muitos políticos inescrupulosos que exploram a boa-fé de grupos coletivos com um indisfarçado apelo personalista:
1) Manipulação e charme ─ frequentemente usam uma fachada de simpatia para ludibriar e explorar as pessoas de boa vontade;
2) Impulsividade ─ agem por instinto, demonstrando quase sempre muita irritabilidade e agressividade;
3) Ausência de empatia ─ apresentam enorme dificuldade em assimilar e convalidar o sofrimento alheio;
4) Mentiras compulsivas ─ recorrem à uma constante dissimulação para obter benefícios pessoais.
Esse traço psicológico costuma se manifestar já no início da juventude e perdura pela vida afora, sendo que individualmente pode ser tratado através de terapias próprias.
Mas no plano coletivo consiste em um desafio diário tentar compreender a complexidade das suas implicações, para enfim repelir com eficácia este tipo nefasto de comportamento.

domingo, 10 de maio de 2026

MENSAGENS BÍBLICAS ─ 2 REIS 4, 8-37

Certo dia Eliseu foi a Suném, onde uma mulher rica insistiu que ele fosse tomar uma refeição em sua casa. Depois disso, sempre que passava por ali, ele parava para uma refeição. Em vista disso, ela disse ao marido: 
─ Sei que esse homem que sempre vem aqui é um santo homem de Deus. Vamos construir lá em cima um quartinho de tijolos e colocar nele uma cama, uma mesa, uma cadeira e uma lamparina para ele. Assim, sempre que nos visitar ele poderá ocupá-lo.
Um dia, quando Eliseu chegou, subiu ao seu quarto e deitou-se. Ele mandou o seu servo Geazi chamar a sunamita. Ele a chamou e, quando ela veio, Eliseu mandou Geazi dizer-lhe:
─ Você teve todo este trabalho por nossa causa. O que podemos fazer por você? Quer que eu interceda por você ao rei ou ao comandante do exército?
Ela respondeu: 
─ Estou bem entre a minha própria gente. 
Mais tarde Eliseu perguntou a Geazi: 
─ O que se pode fazer por ela?
Ele respondeu: 
─ Bem, ela não tem filhos, e seu marido é idoso.
Então Eliseu mandou chamá-la de novo. Geazi a chamou, ela veio até a porta e ele disse:
─ Por volta desta época, no ano que vem, você estará com um filho nos braços.
Ela contestou: 
─ Não, meu senhor. Não iludas a tua serva, oh, homem de Deus!
Mas, como Eliseu lhe dissera, a mulher engravidou e, no ano seguinte, por volta daquela mesma época, deu à luz um filho. O menino cresceu e certo dia foi encontrar-se com seu pai, que estava com os ceifeiros.
De repente ele começou a chamar o pai, gritando: 
─ Ai, minha cabeça! Ai, minha cabeça!
O pai disse a um servo: 
─ Leve-o para a mãe dele.
O servo o pegou e o levou à mãe. O menino ficou no colo dela até o meio-dia e morreu. A sunamita subiu ao quarto do homem de Deus, deitou o menino na cama, saiu e fechou a porta. Então ela chamou o marido e disse: 
─ Preciso de um servo e de uma jumenta para ir falar com o homem de Deus. Vou e volto logo.
Ele perguntou: 
─ Mas por que hoje? Não é lua nova nem sábado!
Ela respondeu: 
─ Não se preocupe.
Ela mandou selar a jumenta e disse ao servo: 
─ Vamos rápido; só pare quando eu mandar.
Assim ela partiu para encontrar-se com o homem de Deus no monte Carmelo. Quando ele a viu a distância, disse a seu servo Geazi: 
─ Olhe! É a sunamita! Cor­ra ao seu encontro e pergunte a ela: "Está tudo bem com você? Tudo bem com seu marido? E com seu filho"?
Ela respondeu a Geazi: 
─ Está tudo bem.
Ao encontrar o homem de Deus no monte, ela se abraçou aos seus pés. Geazi veio para afastá-la, mas o homem de Deus lhe disse: 
─ Deixe-a em paz! Ela está muito angustiada, mas o Senhor nada me revelou e escondeu de mim a razão de sua angústia.
E mulher disse: 
─ Acaso eu te pedi um filho, meu senhor? Não te disse para não me dar falsas esperanças?
Então Eliseu disse a Geazi: 
─ Ponha a capa por dentro do cinto, pegue o meu cajado e corra. Se você encontrar alguém, não o cumprimente e, se alguém o cumprimentar, não responda. Quando lá chegar, ponha o meu cajado sobre o rosto do menino.
Mas a mãe do menino disse: 
─ Juro pelo nome do Senhor e por tua vida que, se ficares, não irei. 
Então ele foi com ela. Geazi chegou primeiro e pôs o cajado sobre o rosto do menino, mas ele não falou nem reagiu. Então Geazi voltou para encontrar-se com Eliseu e lhe disse: 
─ O menino não voltou a si.
Quando Eliseu chegou à casa, lá estava o menino, morto, estendido na cama. Ele entrou, fechou a porta e orou ao Senhor. Depois deitou-se sobre o menino, boca a boca, olhos com olhos, mãos com mãos. Enquanto se debruçava sobre ele, o corpo do menino ia se aquecendo.
Eliseu levantou-se e começou a andar pelo quarto; depois subiu na cama e debruçou-se mais uma vez sobre ele. O menino espirrou sete vezes e abriu os olhos. Eliseu chamou Geazi e o mandou chamar a sunamita. E ele obedeceu. Quando ela chegou, Eliseu disse: 
─ Pegue seu filho.
Ela entrou, prostrou-se a seus pés, curvando-se até o chão. Então pegou o filho e saiu.

O PASQUIM / Acervo digital da Biblioteca Nacional