Luís Guilherme S. Etienne Arreguy
arreguy@yahoo.com
quinta-feira, 2 de julho de 2026
quarta-feira, 1 de julho de 2026
MENSAGENS BÍBLICAS ─ MARCOS 4, 10-20
Quando Jesus ficou sozinho, os Doze e outros que estavam ao redor lhe fizeram perguntas acerca das parábolas. E Jesus lhes disse:
─ A vocês foi dado o mistério do Reino de Deus, mas aos que estão fora tudo é dito por parábolas, para que, ainda que vejam, não percebam; ainda que ouçam, não entendam; de outro modo, poderiam converter-se e ser perdoados!
Então Jesus lhes perguntou:
─ Vocês não entendem esta parábola? Como, então, compreenderão todas as outras? O semeador semeia a palavra. Algumas pessoas são como a semente à beira do caminho, onde a palavra é semeada. Logo que a ouvem, Satanás vem e retira a palavra nelas semeada. Outras, como a semente lançada em terreno pedregoso, ouvem a palavra e logo a recebem com alegria. Todavia, visto que não têm raiz em si mesmas, permanecem por pouco tempo. Quando surge alguma tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo a abandonam. Outras ainda, como a semente lançada entre espinhos, ouvem a palavra; mas, quando chegam as preocupações desta vida, o engano das riquezas e os anseios por outras coisas, sufocam a palavra, tornando-a infrutífera. Outras pessoas são como a semente lançada em boa terra: ouvem a palavra, aceitam-na e dão uma colheita de trinta, sessenta e até cem por um.
terça-feira, 30 de junho de 2026
BARQUEIRO QUE EU SOU
Conheço o rio, o rio me conhece: entre suas margens iguais, sobre suas ondas iguais, minha vida se desenrola neutra, esquecida do mundo.
Já nem sei mais há quanto tempo sou prisioneiro dessas margens.
Minha memória não guarda nada mais que essas ondas iguais, essas margens iguais, que são todo o meu horizonte.
Só o rio me conhece, conhece essa vida que se desenrola – neutra, esquecida do mundo – como essas plantas aquáticas, que o tédio consome.
Ah, o tédio!
Toda uma existência e apenas esse rio, essas ondas iguais, sempre iguais, essas margens, que são todo o meu horizonte.
Dentro de mim há algumas memórias, sim: coisas passadas, cores, ideias.
Mas são apenas coisas, cores, idéias do rio, desse rio inexoravelmente o mesmo, sempre silencioso e determinado, como meu próprio tédio.
Tédio de existir sempre prisioneiro de duas margens iguais, ao balanço de ondas iguais, sempre indiferentes à angústia dessas plantas anônimas, neutras como a minha vida, como ela consumidas em tédio.
A margem esquerda...
A margem direita...
Pouco importa o lado de que fiquem, elas são iguais: o meu horizonte.
Todo o meu horizonte.
Se vos acercásseis de mim agora, se me dissésseis:
─ Oh, barqueiro! Leva-me desta àquela margem!
Eu vos levaria.
Desta àquela margem.
Eu sou um barqueiro: essa a minha missão.
Entretanto sei que não existe essa, nem aquela margem, mas apenas a margem, não importa o lado de que fique, nem porque idas de uma para outra.
Porque uma vez atravessado o rio, ir-vos-eis, mas convosco não irá o barqueiro, nem vos lembrareis mais do barqueiro.
Porque não conheceis o meu tédio.
Esse tédio imenso, esse tédio esmagador de viver entre duas margens iguais, sobre neutras ondas iguais, de só conhecer o rio e só ser conhecido pelo rio.
De se consumir assim, como essas anônimas plantas aquáticas, que se consomem no tédio.
Perguntareis:
─ Oh, barqueiro, quem és, enfim, donde vens?
Responderei, mas minha resposta não vos satisfará.
Eu só posso dizer que sou um barqueiro e que venho da outra margem.
A outra margem horrivelmente igual, infinitamente igual a esta.
Mas, em verdade, não vos importa saber quem sou e donde venho, pois, atravessando o rio, ir-vos-eis e não irá convosco o barqueiro e esquecereis o barqueiro.
Pois não conheceis o que é esse meu tédio.
O tédio das margens iguais.
Às vezes, pressinto que o vento que sopra quer me segredar qualquer coisa.
A brisa é tão doce quando o crepúsculo se abate sobre o meu tédio.
As plantas se curvam docilmente ao toque da brisa, ao crepúsculo; parece-me então ouvir misteriosas vozes, vozes do vento.
Mas já não sei mais entender o vento e o vento passa e o meu tédio fica.
Depois vem a noite...
O barco, ao relento, balança ao balanço das ondas iguais.
O céu transparente parece que brilha no fundo do rio.
– Barqueiro! Barqueiro!
Será que as estrelas me chamam em noites assim?
O sonho...
Não!
O tédio.
Que sabe um pobre barqueiro de sonhos?
O tédio.
Que sabe um pobre barqueiro de fantasias?
A fantasia...
O tédio.
– A fantasia! A fantasia!
A fuga pelo espírito!
Por que não romper as cadeias que pesam, que tolhem, que inibem?
O sonho...
Por que suportar o horizonte das margens?
Das margens iguais, infinitamente iguais?
– Barqueiro!
As vozes do vento.
As vozes das estrelas.
– Barqueiro... Barqueiro... Barqueiro...
– Que sois? De onde viestes quebrar o meu tédio? O vento vos trouxe? Viestes do céu? Será que o delírio tomou minha mente?
– Nós somos do mundo do sonho
Das fantasias humanas
Ouvimos a tua angústia
Sentimos a tua angústia
Nascemos da tua angústia
O teu tédio nos gerou
No fundo das águas
Na luz das estrelas
No vento que sopra
No caule das plantas
Nos velhos castelos
Nos velhos navios
Jazíamos à espera do teu grito
E nos geraste assim
Nós nascemos assim
Dos gritos de tédio é que nasce a fantasia.
Quem é que me chama em noites assim?
Que seres rondarão o meu rio?
Que querem esses seres?
Que vozes são estas?
É o sonho que vem...
– Barqueiro!
É o sonho...
– Barqueiro!
Que se quebrem as cadeias do tédio.
Rompa-se esse horizonte triste de margens iguais.
Oh, seres do mundo impossível, oh, seres queridos!
Vinde, oh, filhos do meu tédio, libertai-me da realidade.
Vinde!
Aparecei!
*Marçal Arreguy
domingo, 7 de junho de 2026
quarta-feira, 27 de maio de 2026
A PRIMEIRA COPA DO MUNDO DE FUTEBOL
A difusão dos esportes organizados no mundo é uma característica histórica da chamada Era Contemporânea, como consequência sociológica do processo de industrialização e globalização a partir do início do século XIX.
No rastro da expansão da cultura europeia para os quatro cantos do planeta, desenvolveu-se a sistematização das regras de várias modalidades esportivas, com a consolidação de torneios locais em clubes e escolas, especialmente nas cidades industriais.
Tendo como inspiração os primeiros jogos olímpicos de 1896 em Atenas, a realização de grandes competições internacionais foi um fenômeno típico do século seguinte, quando foram criadas as primeiras copas mundiais.
A FIFA – federação internacional de futebol ─ foi fundada em 1904, com o objetivo de promover entre as nações os torneios de futebol, um esporte muito popular que já fazia parte da segunda edição das olimpíadas em Paris, no ano 1900.
Por volta desta época o "ludopédio" chegou à América do Sul e logo caiu no gosto de todos; personalidades como Charles Miller e Belfort Duarte se destacaram em São Paulo e no Rio de Janeiro respectivamente na promoção e na organização dos primeiros jogos de futebol no Brasil.
Durante o século XX o chamado “nobre esporte bretão” se espalharia por todas as nações, tornando-se o esporte mais popular do mundo, sinônimo de diversão e amistosidade.
Em dezembro de 1914, por exemplo, ainda no início dos conflitos da primeira grande guerra mundial, quando soldados franceses e alemães se entrincheiravam para o combate, foi estabelecido um breve armistício no campo de batalha.
Assim foi improvisada de forma espontânea e simbólica uma partida de futebol entre os soldados inimigos, para celebrar aquele breve instante de paz, no episódio histórico conhecido como a Trégua do Natal de 1914.
Servindo como uma metáfora da representação social, incorporando valores culturais, regionais e étnicos, o futebol adquiriu de fato uma espécie de status diplomático nas relações entre as nações.
No entanto muitas vezes o esporte foi indevidamente usado por governos totalitários como instrumento de propaganda, para enaltecer as virtudes da própria nacionalidade em detrimento das demais, desvirtuando a finalidade mais nobre e principal das disputas esportivas entre os países.
Na Europa do início da década de 1920, após o catastrófico balanço dos efeitos nefastos da primeira grande guerra mundial, diante da imperiosa necessidade de se promover um convívio harmônico entre os países, governos e entidades da sociedade civil implementaram várias iniciativas internacionais de confraternização e celebração da paz.
No âmbito da política global, uma dessas ações foi a criação da Liga das Nações em 1919, que, embora não tenha conseguido evitar a ocorrência da segunda guerra mundial, serviu como fonte embrionária para a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1945.
Neste esforço de pacificação durante o período histórico denominado "entre-guerras", que vai de 1919 a 1939, um grupo de empreendedores e apreciadores do futebol, liderados pelo advogado e dirigente esportivo franco-suíço Jules Rimet, começou a organizar no âmbito da FIFA um campeonato mundial, no intuito de viabilizar a aproximação e a integração entre as nações do planeta.
Em 1928 foi lançada a ideia de uma Copa do Mundo, disputada em um país diferente a cada 4 anos e representada por uma taça de ouro entregue temporariamente ao vencedor do torneio, sendo que o local escolhido para sediar em 1930 o primeiro campeonato mundial foi o Uruguay.
Segundo as regras estabelecidas, o país que conquistasse o campeonato por três vezes teria então direito à posse definitiva do cobiçado troféu, que em 1946 recebeu o nome de Taça Jules Rimet, em homenagem ao principal idealizador da Copa do Mundo de futebol.
Com uma derrota para a Iugoslávia e uma vitória sobre a Bolívia, a seleção do Brasil, representada apenas por atletas do Rio de Janeiro, teve uma passagem discreta no torneio, que contou com a participação de 13 países.
Na decisão entre uruguaios e argentinos, os donos da casa ─ os bicampeões olímpicos de 1924 e 1928 ─ venceram por 4 a 2 e o Uruguay se consagrou como o primeiro país campeão mundial de futebol.
NO QUARTEL DE ABRANTES
Muitos analistas de geopolítica costumam comparar a atual decadência dos Estados Unidos com o processo histórico de ascensão e queda do império romano.
De fato há alguns pontos de convergência entre estas duas situações distantes cerca de dois mil anos entre si, afinal a experiência romana serve como parâmetro para várias situações sociopolíticas que se sucedem na História.
Os romanos chegaram à Inglaterra no ano 55 a.C., quando Júlio César atravessou o canal da Mancha com o objetivo inicial de reconhecimento militar e imposição de tributos.
A invasão definitiva só ocorreu cem anos depois, em 43 d.C., sob o comando do imperador Cláudio, fundador da província romana da Britânia, que perdurou até 410 d.C..
Antes de Cláudio, porém, o imperador Calígula tinha feito diversas tentativas de invasão da ilha, transformando a missão de subjugar a Inglaterra em plataforma política e matéria de propaganda.
Impossibilitado de avançar no seu propósito, Calígula forjou uma conquista que nunca existiu, em uma operação militar teatral que mobilizou cerca de 200 mil soldados romanos.
Para ludibriar a população romana, Calígula selecionou entre seus próprios homens aqueles que tinham a aparência física dos ingleses, deixando-os alguns dias encarcerados sob privações e penúrias.
Depois o tirano desfilou com esses estropiados pelas ruas de Roma, como se eles fossem prisioneiros de guerra.
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