"Nossa grandeza às vezes não é vista, porque é invisível para alguns; não é comercializada, porque não tem valor comercial. Não se esconde, porque é digna e pura. Mas, sim, ela pode ser sentida: nos povos libertados, nos doentes tratados e na cura aprimorada, na alfabetização e na instrução do povo, no atleta formado, no artista exposto. E nossos inimigos também sentem isso. Eles sentem tanto que todos os dias fazem planos para acabar com essa grandeza. É por isso que eles nos odeiam, pela ideia que representamos, pelo exemplo que estabelecemos. Mostramos que, com vontade e coragem, outro mundo, sim, é possível”.
Luís Guilherme S. Etienne Arreguy
arreguy@yahoo.com
sábado, 25 de julho de 2026
MOVIMIENTO 26 DE JULIO
Neste ano que celebramos o centenário do nascimento de Fidel Castro é importante relembrar o que representa o Movimento 26 de Julho na história da revolução cubana.
A data, do ano de 1953, refere-se ao primeiro levante contra o regime autoritário do ditador Fulgêncio Batista, que no ano anterior havia tomado o poder com um golpe militar, promovendo a ruptura democrática na ilha caribenha.
Fidel era então um jovem advogado, filho de fazendeiro, que defendia basicamente os valores da democracia liberal.
Por isso a indignação que o levou a tomar a drástica atitude de liderar um ataque militar ao Quartel de Moncada, na cidade de Santiago de Cuba, no dia 26 de julho de 1953.
A rebelião fracassou, muitos rebeldes foram mortos e o líder do grupo Fidel Castro foi preso, junto com alguns companheiros que se salvaram do embate contra as forças do governo.
Condenado a 15 anos de prisão, Fidel declarou no seu julgamento a célebre frase: "a História me absolverá".
Libertados após dois anos por uma anistia conquistada em uma campanha popular, Fidel e seus companheiros fundaram o Movimiento 26 de Julio, no dia 12 de junho de 1955, com o objetivo de restaurar a democracia em Cuba, nem que fosse na bala.
Em seguida os rebeldes foram obrigados a deixar o país e exilaram-se no México, onde iniciaram na clandestinidade os treinamentos militares para um novo levante contra o governo Batista.
Foi neste período que Fidel conheceu Che Guevara na Cidade do México, um aventureiro recém formado em Medicina.
Che por acaso havia estado na Cidade da Guatemala em 1954, quando os Estados Unidos derrubaram o governo de Jacobo Árbens com um ataque militar, impondo aos guatemaltecos uma ditadura submissa aos interesses de Washington.
40 ANOS DA CAMPANHA CONSTITUINTE (1986)
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| Não basta repudiar o mal, é preciso combatê-lo; não basta desejar o bem, é preciso construí-lo. |
Desde que o poder político foi retirado do povo, em 1964, a atividade dos homens públicos passou a ter uma imagem pessimista e de pouco valor moral.
Nossos verdadeiros líderes estavam mortos, banidos, presos ou emudecidos, e “político” passou a ser uma pessoa mal vista, principalmente por conviver com instituições falsas e más, cruéis para o povo e nocivas ao Brasil.
Hoje há uma nesga de luz de esperança, há uma ponte entre o nosso abismo e um possível futuro onde a Razão e o Bem, através da DEMOCRACIA, restituam ao povo brasileiro a Paz, que é a sua Vocação, e a Prosperidade que é o direito que lhe propicia este país de incomensuráveis riquezas naturais, povoado de gente generosa e pacífica.
O Congresso Nacional Constituinte é o instante fundamental desse sonho dos brasileiros.
Advogado e professor há quase três décadas, vivendo intensamente o drama do povo brasileiro, senti-me convocado a participar, especialista que sou, da elaboração de nossa futura Constituição.
Para isso preciso de seu apoio e peço seu voto.
Será uma tarefa árdua, que exigirá técnica, muita independência, muita lealdade. Dela resultará uma lei, a Lei Suprema dos brasileiros.
Sendo uma lei, a Constituição será um texto cheio de palavras complicadas para a maioria de nós. Mas espero poder fazer com que ela se resuma na mais sublime expressão que já se viu:
“Ama teu próximo como a ti mesmo”.
Marçal Etienne Arreguy.
terça-feira, 7 de julho de 2026
BARQUEIRO QUE EU SOU (Marçal Arreguy)
Conheço o rio, o rio me conhece: entre suas margens iguais, sobre suas ondas iguais, minha vida se desenrola neutra, esquecida do mundo.
Já nem sei mais há quanto tempo sou prisioneiro dessas margens.
Minha memória não guarda nada mais que essas ondas iguais, essas margens iguais, que são todo o meu horizonte.
Só o rio me conhece, conhece essa vida que se desenrola – neutra, esquecida do mundo – como essas plantas aquáticas, que o tédio consome.
Ah, o tédio!
Toda uma existência e apenas esse rio, essas ondas iguais, sempre iguais, essas margens, que são todo o meu horizonte.
Dentro de mim há algumas memórias, sim: coisas passadas, cores, ideias.
Mas são apenas coisas, cores, idéias do rio, desse rio inexoravelmente o mesmo, sempre silencioso e determinado, como meu próprio tédio.
Tédio de existir sempre prisioneiro de duas margens iguais, ao balanço de ondas iguais, sempre indiferentes à angústia dessas plantas anônimas, neutras como a minha vida, como ela consumidas em tédio.
A margem esquerda...
A margem direita...
Pouco importa o lado de que fiquem, elas são iguais: o meu horizonte.
Todo o meu horizonte.
Se vos acercásseis de mim agora, se me dissésseis:
─ Oh, barqueiro! Leva-me desta àquela margem!
Eu vos levaria.
Desta àquela margem.
Eu sou um barqueiro: essa a minha missão.
Entretanto sei que não existe essa, nem aquela margem, mas apenas a margem, não importa o lado de que fique, nem porque idas de uma para outra.
Porque uma vez atravessado o rio, ir-vos-eis, mas convosco não irá o barqueiro, nem vos lembrareis mais do barqueiro.
Porque não conheceis o meu tédio.
Esse tédio imenso, esse tédio esmagador de viver entre duas margens iguais, sobre neutras ondas iguais, de só conhecer o rio e só ser conhecido pelo rio.
De se consumir assim, como essas anônimas plantas aquáticas, que se consomem no tédio.
Perguntareis:
─ Oh, barqueiro, quem és, enfim, donde vens?
Responderei, mas minha resposta não vos satisfará.
Eu só posso dizer que sou um barqueiro e que venho da outra margem.
A outra margem horrivelmente igual, infinitamente igual a esta.
Mas, em verdade, não vos importa saber quem sou e donde venho, pois, atravessando o rio, ir-vos-eis e não irá convosco o barqueiro e esquecereis o barqueiro.
Pois não conheceis o que é esse meu tédio.
O tédio das margens iguais.
Às vezes, pressinto que o vento que sopra quer me segredar qualquer coisa.
A brisa é tão doce quando o crepúsculo se abate sobre o meu tédio.
As plantas se curvam docilmente ao toque da brisa, ao crepúsculo; parece-me então ouvir misteriosas vozes, vozes do vento.
Mas já não sei mais entender o vento e o vento passa e o meu tédio fica.
Depois vem a noite...
O barco, ao relento, balança ao balanço das ondas iguais.
O céu transparente parece que brilha no fundo do rio.
– Barqueiro! Barqueiro!
Será que as estrelas me chamam em noites assim?
O sonho...
Não!
O tédio.
Que sabe um pobre barqueiro de sonhos?
O tédio.
Que sabe um pobre barqueiro de fantasias?
A fantasia...
O tédio.
– A fantasia! A fantasia!
A fuga pelo espírito!
Por que não romper as cadeias que pesam, que tolhem, que inibem?
O sonho...
Por que suportar o horizonte das margens?
Das margens iguais, infinitamente iguais?
– Barqueiro!
As vozes do vento.
As vozes das estrelas.
– Barqueiro... Barqueiro... Barqueiro...
– Que sois? De onde viestes quebrar o meu tédio? O vento vos trouxe? Viestes do céu? Será que o delírio tomou minha mente?
– Nós somos do mundo do sonho
Das fantasias humanas
Ouvimos a tua angústia
Sentimos a tua angústia
Nascemos da tua angústia
O teu tédio nos gerou
No fundo das águas
Na luz das estrelas
No vento que sopra
No caule das plantas
Nos velhos castelos
Nos velhos navios
Jazíamos à espera do teu grito
E nos geraste assim
Nós nascemos assim
Dos gritos de tédio é que nasce a fantasia.
Quem é que me chama em noites assim?
Que seres rondarão o meu rio?
Que querem esses seres?
Que vozes são estas?
É o sonho que vem...
– Barqueiro!
É o sonho...
– Barqueiro!
Que se quebrem as cadeias do tédio.
Rompa-se esse horizonte triste de margens iguais.
Oh, seres do mundo impossível, oh, seres queridos!
Vinde, oh, filhos do meu tédio, libertai-me da realidade.
Vinde!
Aparecei!
sexta-feira, 3 de julho de 2026
quinta-feira, 2 de julho de 2026
terça-feira, 30 de junho de 2026
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