quarta-feira, 16 de setembro de 2026

O BOLSONARISMO MATA! (Aldenor Ferreira)

Há expressões que não são metáforas. São diagnósticos. Dizer que o bolsonarismo mata não é força de linguagem. É constatação histórica, política e moral.
O bolsonarismo mata porque é violento. E aqui a palavra deve ser tomada em sua plenitude. Violento no gesto, na fala, na simbologia, na pedagogia cotidiana do ódio. É violento quando transforma adversários políticos em inimigos. É violento quando naturaliza a eliminação simbólica e física do outro como método de afirmação política.
Mas o bolsonarismo mata também de outras formas, menos imediatas e igualmente devastadoras.
Mata a cultura nacional. O bolsonarismo não gosta do cinema brasileiro, da música popular, da literatura, da produção artística que pensa o país. Despreza universidades, demoniza professores, trata artistas como parasitas. 
O bolsonarismo mata ao atacar políticas públicas de fomento cultural, ao sufocar instituições, ao promover o obscurantismo, mata a capacidade de um povo narrar a si mesmo. Um país que não pode contar sua própria história começa a morrer por dentro.
O bolsonarismo mata indígenas e quilombolas quando incentiva invasões em suas terras, quando relativiza crimes ambientais, quando desmonta estruturas de fiscalização e trata o modo de vida desses povos como obstáculo ao “progresso”. 
O bolsonarismo mata agricultores familiares ao priorizar modelos concentradores, ao desmontar políticas de apoio à produção de base camponesa, ao enfraquecer programas de abastecimento popular. Mata a floresta quando estimula a devastação em nome de uma visão predatória e atrasada de desenvolvimento.
O bolsonarismo mata mulheres ao sustentar discursos misóginos, ao apoiar projetos legislativos que restringem direitos, ao deslegitimar políticas de proteção. A violência simbólica abre caminho para a violência concreta. Mata quando a mulher é tratada como objeto ou ameaça, o resultado não é neutro: é estatístico, é estrutural, é mortal.
O bolsonarismo mata a democracia ao flertar reiteradamente com o golpe de Estado, ao desacreditar eleições, ao atacar tribunais, ao corroer a confiança nas instituições. Mata o Congresso quando rebaixa o debate público ao nível da ofensa permanente e da desinformação organizada. Mata a esfera pública ao substituir o argumento pela agressão.
O bolsonarismo mata a soberania nacional, quando se submete voluntariamente a interesses estrangeiros, quando entrega ativos estratégicos, quando transforma a política externa em gesto ideológico de alinhamento automático. 
O bolsonarismo mata a economia nacional ao desmontar instrumentos de planejamento, ao enfraquecer empresas públicas estratégicas, ao reduzir o Estado brasileiro à condição de balcão de negócios.
Por isso é preciso dizer com clareza: o bolsonarismo não é conservadorismo. Conservadorismo é tradição intelectual. O bolsonarismo é outra coisa. É neofascismo à brasileira, adaptado às nossas circunstâncias históricas, mas fiel ao seu núcleo autoritário, antiplural e destrutivo.
Há um conceito filosófico e sociológico contemporâneo que ajuda a compreender esse fenômeno: necropolítica, do camaronês Achille Mbembe. Trata-se da política que decide quem pode viver e quem pode morrer, literal ou simbolicamente. Quando a morte deixa de ser exceção trágica e passa a ser instrumento de governo, estamos diante de algo mais profundo do que divergência ideológica. Estamos diante de um projeto. E o projeto é a eliminação do diferente.
O bolsonarismo mata porque precisa da morte física, simbólica, institucional para se afirmar. Alimenta-se do conflito permanente, da tensão constante, da polarização radicalizada. Sua energia política nasce da destruição.
Não se trata, portanto, de uma disputa política comum entre direita e esquerda. Trata-se de uma disputa civilizatória. Entre política e barbárie. Entre democracia e autoritarismo. Entre vida e morte. O Brasil é maior que isso. O Brasil tem que ser mais que isso. 
E é exatamente por isso que precisamos enfrentar o bolsonarismo não apenas como adversário eleitoral, mas como fenômeno histórico que ameaça corroer os fundamentos da vida coletiva. Porque, no fim das contas, não é exagero dizer: o bolsonarismo mata. E o que mata não pode governar.

sábado, 25 de julho de 2026

2026 ─ CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE FIDEL CASTRO

    "Nossa grandeza às vezes não é vista, porque é invisível para alguns; não é comercializada, porque não tem valor comercial. Não se esconde, porque é digna e pura. Mas, sim, ela pode ser sentida: nos povos libertados, nos doentes tratados e na cura aprimorada, na alfabetização e na instrução do povo, no atleta formado, no artista exposto. E nossos inimigos também sentem isso. Eles sentem tanto que todos os dias fazem planos para acabar com essa grandeza. É por isso que eles nos odeiam, pela ideia que representamos, pelo exemplo que estabelecemos. Mostramos que, com vontade e coragem, outro mundo, sim, é possível”.

MOVIMIENTO 26 DE JULIO

Neste ano que celebramos o centenário do nascimento de Fidel Castro é importante relembrar o que representa o Movimento 26 de Julho na história da revolução cubana.
A data, do ano de 1953, refere-se ao primeiro levante contra o regime autoritário do ditador Fulgêncio Batista, que no ano anterior havia tomado o poder com um golpe militar, promovendo a ruptura democrática na ilha caribenha.
Fidel era então um jovem advogado, filho de fazendeiro, que defendia basicamente os valores da democracia liberal. 
Por isso a indignação que o levou a tomar a drástica atitude de liderar um ataque militar ao Quartel de Moncada, na cidade de Santiago de Cuba, no dia 26 de julho de 1953.
A rebelião fracassou, muitos rebeldes foram mortos e o líder do grupo Fidel Castro foi preso, junto com alguns companheiros que se salvaram do embate contra as forças do governo.
Condenado a 15 anos de prisão, Fidel declarou no seu julgamento a célebre frase: "a História me absolverá".
Libertados após dois anos por uma anistia conquistada em uma campanha popular, Fidel e seus companheiros fundaram o Movimiento 26 de Julio, no dia 12 de junho de 1955, com o objetivo de restaurar a democracia em Cuba, nem que fosse na bala. 
Em seguida os rebeldes foram obrigados a deixar o país e exilaram-se no México, onde iniciaram na clandestinidade os treinamentos militares para um novo levante contra o governo Batista. 
Foi neste período que Fidel conheceu Che Guevara na Cidade do México, um aventureiro recém formado em Medicina.
Che por acaso havia estado na Cidade da Guatemala em 1954, quando os Estados Unidos derrubaram o governo de Jacobo Árbens com um ataque militar, impondo aos guatemaltecos uma ditadura submissa aos interesses de Washington.

40 ANOS DA CAMPANHA CONSTITUINTE (1986)

Não basta repudiar o mal, é preciso combatê-lo;
não basta desejar o bem, é preciso construí-lo.
Desde que o poder político foi retirado do povo, em 1964, a atividade dos homens públicos passou a ter uma imagem pessimista e de pouco valor moral.
Nossos verdadeiros líderes estavam mortos, banidos, presos ou emudecidos, e “político” passou a ser uma pessoa mal vista, principalmente por conviver com instituições falsas e más, cruéis para o povo e nocivas ao Brasil.
Hoje há uma nesga de luz de esperança, há uma ponte entre o nosso abismo e um possível futuro onde a Razão e o Bem, através da DEMOCRACIA, restituam ao povo brasileiro a Paz, que é a sua Vocação, e a Prosperidade que é o direito que lhe propicia este país de incomensuráveis riquezas naturais, povoado de gente generosa e pacífica.
O Congresso Nacional Constituinte é o instante fundamental desse sonho dos brasileiros.
Advogado e professor há quase três décadas, vivendo intensamente o drama do povo brasileiro, senti-me convocado a participar, especialista que sou, da elaboração de nossa futura Constituição.
Para isso preciso de seu apoio e peço seu voto.
Será uma tarefa árdua, que exigirá técnica, muita independência, muita lealdade. Dela resultará uma lei, a Lei Suprema dos brasileiros.
Sendo uma lei, a Constituição será um texto cheio de palavras complicadas para a maioria de nós. Mas espero poder fazer com que ela se resuma na mais sublime expressão que já se viu:
Ama teu próximo como a ti mesmo”.

Marçal Etienne Arreguy.