segunda-feira, 19 de outubro de 2026

PARABÉNS, POUSO ALEGRE!


Durante seus longos anos de vida, minha cidade natal já foi muitas e muitas vezes homenageada, em prosa e em verso, por vários prosadores e poetas. 
Hoje, 19 de outubro, aniversário de Pouso Alegre, para falar do meu amor pela minha cidade, recorro a uma Musa Inspiradora:
“Vem, lendária Nossa Senhora dos namorados, desce do teu pedestal, segura minhas mãos e vamos voltar ao tempo da Pouso Alegre bucólica, das charretes, dos tropeiros...
Vamos nos banhar nos jatos d’água coloridos da mágica Fonte Luminosa que enfeita o jardim da Praça Senador José Bento. Ela acalenta os sonhos dos jovens que a rodeiam...
Que graça! Homens de um lado, mulheres de outro; eles não “ficam”, eles flertam, namoram...
Leva-me, Musa, para o Parque Municipal na Praça João Pinheiro, ponto de encontro da juventude. 
Na quadra de vôlei treinam as jovens da AME (Associação Mineira Esportiva), que conquistarão o título de Campeãs de Vôlei do Estado de Minas: Alayr Rosa, Lili Fernandes, Maria Antonia, Mariucha, Sonia Lígia Beltrão, Stella Brito e Vanda Nora marcarão época no esporte de Pouso Alegre.
Vamos olhar do alto essa cidade encantadora; os namorados jogam ping-pong ou conversam de mãos dadas nos balancinhos...
Na Avenida Dr. Lisboa desfilam carros alegóricos, blocos carnavalescos coloridos, iluminados pela luz dos holofotes...
Os pouso-alegrenses vibram com os blocos, atirando confetes e serpentinas; o “Sossega Leão” e o “Aristocrático” desfilam pela larga Avenida iluminada...
“Oi, abre alas para o leão passar”...
Mais abaixo, a Estação Ferroviária é ponto turístico obrigatório; ir à tardezinha esperar o trem que traz e leva amigos para os arredores é um costume da época. 
Ouço o som da Banda de Música, que sobe a Avenida, carinhosamente chamada de “Furiosa”.
Finalmente, vamos visitar o famoso Rio Mandu que banha a cidade. 
Ali pululam peixes de várias espécies, sendo o mais famoso o Dourado, que o Zé Engrenagem vende nas casas ou no Mercado. 
Quando o rio transborda, jovens mergulham da ponte, as enchentes destroem casas, famílias ficam desabrigadas...
E o velho rio, como diz a lenda, só baixa quando alguém morre afogado.
Leva-me de novo ao teu pedestal em frente à Igreja; o sino bate horas, o tempo passa depressa e hoje é 19 de outubro”.
De repente, a paisagem mudou...
O progresso chegou e com ele as indústrias, novas avenidas, escolas, hospitais...
Quantos fatos importantes aconteceram!
Mas continuo sendo eterna enamorada da terra onde nasci e vivo. 
O “point” da juventude já não é mais o Parque Municipal, mas a belíssima Avenida Vicente Simões, meu pai, que ali foi homenageado, o que muito me orgulha!

sexta-feira, 2 de outubro de 2026

VELHOS TEMPOS DA POLÍTICA MINEIRA

Na época de Getúlio Vargas, no período posterior ao Estado Novo, os dois principais representantes políticos da oligarquia mineira eram Benedito Valadares do PSD e José Bonifácio de Andrada da UDN. 
Durante a redemocratização pós-1946, ambos eram deputados federais e nutriam entre si uma intensa rivalidade nos debates parlamentares no Congresso Nacional.
Certa vez, em um encontro ao acaso no aeroporto de Belo Horizonte, eles tiveram a oportunidade de travar uma conversa rápida e amistosa, sem nenhum embaraço, bem ao estilo da tradicional política local.
Bonifácio estava chegando à capital mineira, enquanto Valadares se preparava para pegar o avião para o Rio de Janeiro, que naquela época era a capital nacional. 
Entre cumprimentos e cordialidades, Bonifácio perguntou:
– E você está indo pra onde, prezado Benedito?
Valadares então respondeu:
– Vou pro Rio, caro Bonifácio!
E assim se despediram, cada um tomando seu rumo. E na saída do Aeroporto, Bonifácio comentou com seu assessor:
– O Valadares quer me enganar, dizendo que vai pro Rio só pra eu pensar que ele está indo pra São Paulo, mas eu sei que na verdade ele está indo pro Rio mesmo!

sexta-feira, 14 de agosto de 2026

CRÔNICAS DA REVOLUÇÃO ─ FIDEL NO BRASIL

Em maio de 1959, quatro meses após o triunfo da Revolução Cubana, Fidel Castro veio ao Brasil para uma visita protocolar histórica. 
O governo brasileiro foi um dos primeiros a reconhecer a legitimidade do novo regime revolucionário da ilha caribenha e a visita do líder cubano era um sinal de agradecimento.
A passagem de Fidel pelo Brasil fez parte de um esforço do presidente Juscelino Kubitschek para articular no continente a chamada Operação Pan-Americana (OPA), destinada a promover o desenvolvimento nos países da região.
Fidel cumpriu uma extensa agenda oficial e foi recebido com entusiasmo por políticos, estudantes e empresários. 
Em um almoço oferecido por JK, o comandante fez um discurso "rápido", de apenas 3 horas, referindo-se sempre ao Brasil como "um irmão maior”.
Exaltou a iniciativa da Operação Pan-Americana, defendeu a reforma agrária e a justiça revolucionária do seu país e criticou a ausência de investimentos norte-americanos na América Latina. 
Depois de um encontro com o ministro da guerra Teixeira Lott, Fidel compareceu à sede da União Nacional dos Estudantes no Rio de Janeiro, onde debateu longamente com cerca de 300 jovens. 
Finalmente o dirigente cubano compareceu a um jantar cerimonial em São Paulo, com a presença de políticos e empresários. 
Apresentado ao prefeito Ademar de Barros, o famoso rouba-mas-faz, que manifestou o seu desagrado com o uso do “paredón” pelo tribunal revolucionário em Cuba, Fidel irônicamente o tranquilizou: 
— Não se preocupe, estamos fuzilando só os grandes ladrões do dinheiro público!

sábado, 25 de julho de 2026

2026 ─ CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE FIDEL CASTRO

    "Nossa grandeza às vezes não é vista, porque é invisível para alguns; não é comercializada, porque não tem valor comercial. Não se esconde, porque é digna e pura. Mas, sim, ela pode ser sentida: nos povos libertados, nos doentes tratados e na cura aprimorada, na alfabetização e na instrução do povo, no atleta formado, no artista exposto. E nossos inimigos também sentem isso. Eles sentem tanto que todos os dias fazem planos para acabar com essa grandeza. É por isso que eles nos odeiam, pela ideia que representamos, pelo exemplo que estabelecemos. Mostramos que, com vontade e coragem, outro mundo, sim, é possível”.