quarta-feira, 27 de maio de 2026

A PRIMEIRA COPA DO MUNDO DE FUTEBOL

A difusão dos esportes organizados no mundo é uma característica histórica da chamada Era Contemporânea, como consequência sociológica do processo de industrialização e globalização a partir do início do século XIX.
No rastro da expansão da cultura europeia para os quatro cantos do planeta, desenvolveu-se a sistematização das regras de várias modalidades esportivas, com a consolidação de torneios locais em clubes e escolas, especialmente nas cidades industriais.
Tendo como inspiração os primeiros jogos olímpicos de 1896 em Atenas, a realização de grandes competições internacionais foi um fenômeno típico do século XX, quando foram criadas as primeiras copas mundiais. 
A FIFA – federação internacional de futebol ─ foi fundada em 1904, com o objetivo de promover entre as nações os torneios de futebol, um esporte muito popular que já fazia parte da segunda edição das olimpíadas em Paris, no ano 1900.
Por volta desta época o "ludopédio" chegou à América do Sul e logo caiu no gosto de todos; personalidades como Charles Miller e Belfort Duarte se destacaram em São Paulo e no Rio de Janeiro respectivamente na promoção e na organização dos primeiros jogos de futebol no Brasil.
Durante o século XX o chamado “nobre esporte bretão” se espalharia por todas as nações, tornando-se o esporte mais popular do mundo, sinônimo de diversão e amistosidade.
Em dezembro de 1914, por exemplo, ainda no início dos conflitos da primeira grande guerra mundial, quando soldados franceses e alemães se entrincheiravam para o combate, foi estabelecido um breve armistício no campo de batalha.
Assim foi improvisada de forma espontânea e simbólica uma partida de futebol entre os soldados inimigos, para celebrar aquele breve instante de paz, no episódio histórico conhecido como a Trégua do Natal de 1914.
Servindo como uma metáfora da representação social, incorporando valores culturais, regionais e étnicos, o futebol adquiriu de fato uma espécie de status diplomático nas relações entre as nações.
No entanto muitas vezes o esporte foi indevidamente usado por governos totalitários como instrumento de propaganda, para enaltecer as virtudes da própria nacionalidade em detrimento das demais, desvirtuando a finalidade mais nobre e principal das disputas esportivas entre os países.
Na Europa do início da década de 1920, após o catastrófico balanço dos efeitos nefastos da primeira grande guerra mundial, diante da imperiosa necessidade de se promover um convívio harmônico entre os países, governos e entidades da sociedade civil implementaram várias iniciativas internacionais de confraternização e celebração da paz.
No âmbito da política global, uma dessas ações foi a criação da Liga das Nações em 1919, que, embora não tenha conseguido evitar a ocorrência da segunda guerra mundial, serviu como fonte embrionária para a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1945.
Neste esforço de pacificação durante o período histórico denominado "entre-guerras", que vai de 1919 a 1939, um grupo de empreendedores e apreciadores do futebol, liderados pelo advogado e dirigente esportivo franco-suíço Jules Rimet, começou a organizar no âmbito da FIFA um campeonato mundial, no intuito de viabilizar a aproximação e a integração entre as nações do planeta.
Em 1928 foi lançada a ideia de uma Copa do Mundo, disputada em um país diferente a cada 4 anos e representada por uma taça de ouro entregue temporariamente ao vencedor do torneio, sendo que o local escolhido para sediar em 1930 o primeiro campeonato mundial foi o Uruguay.
Segundo as regras estabelecidas, o país que conquistasse o campeonato por três vezes teria então direito à posse definitiva do cobiçado troféu, que em 1946 recebeu o nome de Taça Jules Rimet, em homenagem ao principal idealizador da Copa do Mundo de futebol.
Com uma derrota para a Iugoslávia e uma vitória sobre a Bolívia, a seleção do Brasil, representada apenas por atletas do Rio de Janeiro, teve uma passagem discreta no torneio, que contou com a participação de 13 países. 
Na decisão entre uruguaios e argentinos, os  donos da casa ─ os bicampeões olímpicos de 1924 e 1928 ─ venceram por 4 a 2 e o Uruguay se consagrou como o primeiro país campeão mundial de futebol. 
https://www.tumblr.com/standardtjukebox/806727243775754240/coral-da-joab-pra-frente-brasil

domingo, 24 de maio de 2026

O FIM DOS BEATLES

Durante o período da beatlemania, nos primeiros anos da década de 1960, a grande mídia adorava elogiar e jogava o quarteto de Liverpool lá pra cima, sempre enaltecendo e louvando os trabalhos do grupo. 
Mas quando os quatro cabeludos ficaram maduros e começaram a compor músicas elaboradas com temas mais polêmicos, os meios de comunicação passaram a perseguir e a desmerecer a banda.
Jornalistas "especializados" também já estavam incomodados com o teor das novas canções como Norwegian Wood e Day Tripper, por exemplo, que faziam certas alusões ao sexo e às drogas.
Na excursão ao Japão em junho de 1966, a realização dos shows dos Beatles no ginásio sagrado das lutas marciais, o Budokan, havia gerado grandes protestos e questionamentos.
No mês seguinte o incidente nas Filipinas com o ditador Ferdinand Marcos foi o estopim desta virada de mesa, quando em apenas dois meses os Beatles passaram de herois a vilões.
De volta ao verão da Inglaterra para gravar o novo disco, estava sendo disputada no país a Copa do Mundo de futebol e para melhorar o clima a produção dos Beatles tentou fazer uma gravação promocional com Pelé, o superastro da grande seleção brasileira, bicampeã mundial de 1958 e 1962.
A comissão técnica do Brasil vetou a iniciativa, alegando que seria um fator de distração que causaria um grande rebuliço, prejudicando a concentração dos jogadores naquele tão importante torneio.
No início de agosto foi lançado o revolucionário disco Revolver, com músicas muito diferentes daquelas que os Beatles faziam, o que certamente chocou aqueles que esperavam alguma trilha ingênua do tipo "iê-iê-iê".
Ainda em agosto, uma revista dos Estados Unidos "requentou" uma entrevista já esquecida de John Lennon para um tablóide londrino, na qual na verdade ele reclamava do fanatismo pelos Beatles e da dissonância da instituição religiosa com os jovens, sugerindo que a banda seria mais popular do que o cristianismo.
Os fundamentalistas estadunidenses dessas seitas que criam figuras obscuras como o assassino de Lennon, encontraram nesta despretensiosa entrevista uma oportunidade de inverter o que ele havia dito para crucificá-lo, denunciando que ele havia declarado que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo.
Por causa disso alguns movimentos "religiosos" dos Estados Unidos organizaram reuniões em praças públicas para a queima coletiva dos discos e de qualquer merchandising que se referisse aos Beatles, como camisetas, posters e suvenires.
Durante a turnê pelos Estados Unidos neste mesmo mês de agosto, algumas organizações de fanáticos, como a clandestina Ku Klux Klan, faziam ameaças violentas de atentados nas cidades em que os Beatles se apresentavam.
Neste clima pesado o quarteto de Liverpool fez o último show da sua carreira, na cidade de San Francisco, Califórnia, no dia 29 de agosto.
Com a ausência de shows e um disco tão fora-da-curva como Revolver, no final de 1966 a mídia corporativa internacional convenientemente decretou o fim dos Beatles.