sexta-feira, 2 de outubro de 2026

VELHOS TEMPOS DA POLÍTICA MINEIRA

Na época de Getúlio Vargas, no período posterior ao Estado Novo, os dois principais representantes políticos da oligarquia mineira eram Benedito Valadares do PSD e José Bonifácio de Andrada da UDN. 
Durante a redemocratização pós-1946, ambos eram deputados federais e nutriam entre si uma intensa rivalidade nos debates parlamentares no Congresso Nacional.
Certa vez, em um encontro ao acaso no aeroporto de Belo Horizonte, eles tiveram a oportunidade de travar uma conversa rápida e amistosa, sem nenhum embaraço, bem ao estilo da tradicional política local.
Bonifácio estava chegando à capital mineira, enquanto Valadares se preparava para pegar o avião para o Rio de Janeiro, que naquela época era a capital nacional. 
Entre cumprimentos e cordialidades, Bonifácio perguntou:
– E você está indo pra onde, prezado Benedito?
Valadares então respondeu:
– Vou pro Rio, caro Bonifácio!
E assim se despediram, cada um tomando seu rumo. E na saída do Aeroporto, Bonifácio comentou com seu assessor:
– O Valadares quer me enganar, dizendo que vai pro Rio só pra eu pensar que ele está indo pra São Paulo, mas eu sei que na verdade ele está indo pro Rio mesmo!

terça-feira, 22 de setembro de 2026

O DISCURSO DE CHE GUEVARA NA ONU (Victor Pérez Galdós Orti)

Vestindo um simples terno verde-oliva e falando com notável clareza, o Comandante Ernesto Guevara representou Cuba na 19ª sessão da Assembleia Geral da ONU, em 11 de dezembro de 1964.
El Che, com suas palavras vibrantes, lutava em defesa de Cuba e dos povos que sofreram os efeitos nocivos do colonialismo, do neocolonialismo e de outras formas de exploração.
Na abertura de seu discurso, Guevara declarou que a hora final do colonialismo havia chegado e que milhões de pessoas na África, Ásia e América Latina estavam se levantando para abraçar uma nova vida e reivindicar seu direito irrestrito à autodeterminação e ao desenvolvimento independente de suas nações.
Che afirmou ainda que Cuba havia comparecido à ONU para estabelecer sua posição sobre os pontos de discórdia mais importantes e o faria com toda a responsabilidade inerente ao uso dessa plataforma. Argumentou que a coexistência pacífica não poderia ser privilégio das nações poderosas se a paz mundial fosse verdadeiramente assegurada, portanto afirmava o direito à coexistência pacífica também entre os países do Terceiro Mundo que sofreram anos de agressão e exploração cruel. Ele declarou: 
─ A coexistência pacífica deve ser praticada entre todos os Estados, independentemente de seu tamanho, de suas relações históricas passadas e dos problemas que possam ter surgido entre alguns deles em qualquer momento.
Perante a Assembleia Geral das Nações Unidas, Che Guevara também denunciou as ações tomadas pelos Estados Unidos da América que estavam dificultando o desenvolvimento normal da coexistência pacífica em escala global e em regiões específicas.
Em seu discurso, ele também se referiu à situação em Porto Rico. Destacou o simbolismo da luta pela independência travada pelo patriota porto-riquenho Pedro Albizu Campos, a quem descreveu como um símbolo de uma América ainda não redimida, mas indomável.
E, recordando como manteve sua determinação mesmo durante os muitos anos de prisão nos Estados Unidos, Che Guevara expressou: 
─ Anos e anos de prisão, pressão insuportável na cadeia, tortura mental, solidão, isolamento total de seu povo e de sua família, a insolência do conquistador e seus lacaios na terra natal; nada quebrou sua vontade. A Delegação Cubana, em nome de seu povo, presta homenagem de admiração e gratidão a um patriota que dignifica nossa América.
Ele enfatizou que, apesar das manobras e esforços realizados pelos Estados Unidos para subjugar o povo de Porto Rico, a vontade dos porto-riquenhos de defender sua cultura e seu direito à independência se destacou.
Também no discurso que proferiu em 11 de dezembro de 1964, na sede das Nações Unidas, Che Guevara falou sobre a situação colonial sofrida por outros povos das Américas e abordou a dura realidade do continente africano.
Che também lembrou o que Fidel Castro, o líder da Revolução Cubana, havia declarado quatro anos antes na ONU. Em seu discurso nas Nações Unidas em 26 de setembro de 1960, Castro declarou que a filosofia da pilhagem deveria acabar e, com ela, a filosofia da guerra.
Refletindo sobre o estado do mundo, anos após a declaração de Fidel, Che disse que a filosofia da pilhagem não só persistia, como estava mais forte do que nunca. Chegou a destacar como elementos reacionários estavam usando o nome das Nações Unidas para impor seus interesses e até mesmo cometer crimes, como foi o caso do patriota africano Patrice Lumumba. A respeito disso comentou: 
─ Como podemos esquecer como a esperança de Patrice Lumumba nas Nações Unidas foi traída? Como podemos esquecer as lutas de poder e as manobras que se seguiram à ocupação daquele país pelas tropas das Nações Unidas, sob cujos auspícios os assassinos do grande patriota africano agiram impunemente?
O discurso de Che Guevara perante a Assembleia Geral das Nações Unidas foi um momento particularmente significativo na história da Revolução Cubana e destacou, mais uma vez, que Cuba não falava apenas em defesa de seus próprios interesses ou para denunciar as agressões perpetradas contra o país, mas essencialmente em representação e defesa dos legítimos interesses de muitos povos do mundo. 
Abordou também todos os graves problemas e perigos que poderiam afetar o mundo em geral, incluindo o comércio desigual, o desrespeito aos direitos dos países e suas fronteiras, bem como a condenação da corrida armamentista e o apelo ao desarmamento que contribuiria para a preservação da paz em escala universal.
Foi precisamente sobre esses temas que Che, com suas palavras vibrantes, declarou da tribuna das Nações Unidas: 
─ Ao unirmos a voz de todos os países do mundo que clamam pelo desarmamento geral e completo, pela destruição de todo o arsenal atômico, pela cessação absoluta da fabricação de novos dispositivos termonucleares e de testes atômicos de qualquer tipo, acreditamos ser necessário enfatizar que, além disso, a integridade territorial das nações também deve ser respeitada e o braço armado do imperialismo deve ser detido, não sendo menos perigoso por usar apenas armas convencionais.
Na parte final de seu discurso na ONU, Che relembrou questões essenciais levantadas na Segunda Declaração de Havana, aprovada em Assembleia Geral do povo cubano realizada em 4 de fevereiro de 1962. Entre os princípios relembrados por Che em relação àquela declaração histórica, estava o seguinte: 
─ Porque esta grande humanidade disse "basta!” e despertou. E sua marcha, como a de gigantes, não cessará até alcançar a verdadeira independência, pela qual já morreram mais de uma vez em vão.
Naquele mesmo dia, 11 de dezembro de 1964, exercendo seu direito de resposta às opiniões expressas por representantes de diferentes países, Che, entre outras coisas, referiu-se à responsabilidade que estava sendo atribuída a Cuba em relação à promoção da revolução em outros países da América Latina. Ele afirmou com particular significado: 
─ Sustentamos, repetidamente, que as revoluções não são exportadas. As revoluções nascem dentro do povo.

sábado, 25 de julho de 2026

2026 ─ CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE FIDEL CASTRO

    "Nossa grandeza às vezes não é vista, porque é invisível para alguns; não é comercializada, porque não tem valor comercial. Não se esconde, porque é digna e pura. Mas, sim, ela pode ser sentida: nos povos libertados, nos doentes tratados e na cura aprimorada, na alfabetização e na instrução do povo, no atleta formado, no artista exposto. E nossos inimigos também sentem isso. Eles sentem tanto que todos os dias fazem planos para acabar com essa grandeza. É por isso que eles nos odeiam, pela ideia que representamos, pelo exemplo que estabelecemos. Mostramos que, com vontade e coragem, outro mundo, sim, é possível”.

MOVIMIENTO 26 DE JULIO

Neste ano que celebramos o centenário do nascimento de Fidel Castro é importante relembrar o que representa o Movimento 26 de Julho na história da revolução cubana.
A data, do ano de 1953, refere-se ao primeiro levante contra o regime autoritário do ditador Fulgêncio Batista, que no ano anterior havia tomado o poder com um golpe militar, promovendo a ruptura democrática na ilha caribenha.
Fidel era então um jovem advogado, filho de fazendeiro, que defendia basicamente os valores da democracia liberal. 
Por isso a indignação que o levou a tomar a drástica atitude de liderar um ataque militar ao Quartel de Moncada, na cidade de Santiago de Cuba, no dia 26 de julho de 1953.
A rebelião fracassou, muitos rebeldes foram mortos e o líder do grupo Fidel Castro foi preso, junto com alguns companheiros que se salvaram do embate contra as forças do governo.
Condenado a 15 anos de prisão, Fidel declarou no seu julgamento a célebre frase: "a História me absolverá".
Libertados após dois anos por uma anistia conquistada em uma campanha popular, Fidel e seus companheiros fundaram o Movimiento 26 de Julio, no dia 12 de junho de 1955, com o objetivo de restaurar a democracia em Cuba, nem que fosse na bala. 
Em seguida os rebeldes foram obrigados a deixar o país e exilaram-se no México, onde iniciaram na clandestinidade os treinamentos militares para um novo levante contra o governo Batista. 
Foi neste período que Fidel conheceu Che Guevara na Cidade do México, um aventureiro recém formado em Medicina.
Che por acaso havia estado na Cidade da Guatemala em 1954, quando os Estados Unidos derrubaram o governo de Jacobo Árbens com um ataque militar, impondo aos guatemaltecos uma ditadura submissa aos interesses de Washington.

40 ANOS DA CAMPANHA CONSTITUINTE (1986)

Não basta repudiar o mal, é preciso combatê-lo;
não basta desejar o bem, é preciso construí-lo.
Desde que o poder político foi retirado do povo, em 1964, a atividade dos homens públicos passou a ter uma imagem pessimista e de pouco valor moral.
Nossos verdadeiros líderes estavam mortos, banidos, presos ou emudecidos, e “político” passou a ser uma pessoa mal vista, principalmente por conviver com instituições falsas e más, cruéis para o povo e nocivas ao Brasil.
Hoje há uma nesga de luz de esperança, há uma ponte entre o nosso abismo e um possível futuro onde a Razão e o Bem, através da DEMOCRACIA, restituam ao povo brasileiro a Paz, que é a sua Vocação, e a Prosperidade que é o direito que lhe propicia este país de incomensuráveis riquezas naturais, povoado de gente generosa e pacífica.
O Congresso Nacional Constituinte é o instante fundamental desse sonho dos brasileiros.
Advogado e professor há quase três décadas, vivendo intensamente o drama do povo brasileiro, senti-me convocado a participar, especialista que sou, da elaboração de nossa futura Constituição.
Para isso preciso de seu apoio e peço seu voto.
Será uma tarefa árdua, que exigirá técnica, muita independência, muita lealdade. Dela resultará uma lei, a Lei Suprema dos brasileiros.
Sendo uma lei, a Constituição será um texto cheio de palavras complicadas para a maioria de nós. Mas espero poder fazer com que ela se resuma na mais sublime expressão que já se viu:
“Ama teu próximo como a ti mesmo”.

Marçal Etienne Arreguy.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

A PRIMEIRA COPA DO MUNDO DE FUTEBOL

A difusão dos esportes organizados no mundo é uma característica histórica da chamada Era Contemporânea, como consequência sociológica do processo de industrialização e globalização a partir do início do século XIX.
No rastro da expansão da cultura europeia para os quatro cantos do planeta, desenvolveu-se a sistematização das regras de várias modalidades esportivas, com a consolidação de torneios locais em clubes e escolas, especialmente nas cidades industriais.
Tendo como inspiração os primeiros jogos olímpicos de 1896 em Atenas, a realização de grandes competições internacionais foi um fenômeno típico do século XX, quando foram criadas as primeiras copas mundiais. 
A FIFA – federação internacional de futebol ─ foi fundada em 1904, com o objetivo de promover entre as nações os torneios de futebol, um esporte muito popular que já fazia parte da segunda edição das olimpíadas em Paris, no ano 1900.
Por volta desta época o "ludopédio" chegou à América do Sul e logo caiu no gosto de todos; personalidades como Charles Miller e Belfort Duarte se destacaram em São Paulo e no Rio de Janeiro respectivamente na promoção e na organização dos primeiros jogos de futebol no Brasil.
Durante o século XX o chamado “nobre esporte bretão” se espalharia por todas as nações, tornando-se o esporte mais popular do mundo, sinônimo de diversão e amistosidade.
Em dezembro de 1914, por exemplo, ainda no início dos conflitos da primeira grande guerra mundial, quando soldados franceses e alemães se entrincheiravam para o combate, foi estabelecido um breve armistício no campo de batalha.
Assim foi improvisada de forma espontânea e simbólica uma partida de futebol entre os soldados inimigos, para celebrar aquele breve instante de paz, no episódio histórico conhecido como a Trégua do Natal de 1914.
Servindo como uma metáfora da representação social, incorporando valores culturais, regionais e étnicos, o futebol adquiriu de fato uma espécie de status diplomático nas relações entre as nações.
No entanto muitas vezes o esporte foi indevidamente usado por governos totalitários como instrumento de propaganda, para enaltecer as virtudes da própria nacionalidade em detrimento das demais, desvirtuando a finalidade mais nobre e principal das disputas esportivas entre os países.
Na Europa do início da década de 1920, após o catastrófico balanço dos efeitos nefastos da primeira grande guerra mundial, diante da imperiosa necessidade de se promover um convívio harmônico entre os países, governos e entidades da sociedade civil implementaram várias iniciativas internacionais de confraternização e celebração da paz.
No âmbito da política global, uma dessas ações foi a criação da Liga das Nações em 1919, que, embora não tenha conseguido evitar a ocorrência da segunda guerra mundial, serviu como fonte embrionária para a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1945.
Neste esforço de pacificação durante o período histórico denominado "entre-guerras", que vai de 1919 a 1939, um grupo de empreendedores e apreciadores do futebol, liderados pelo advogado e dirigente esportivo franco-suíço Jules Rimet, começou a organizar no âmbito da FIFA um campeonato mundial, no intuito de viabilizar a aproximação e a integração entre as nações do planeta.
Em 1928 foi lançada a ideia de uma Copa do Mundo, disputada em um país diferente a cada 4 anos e representada por uma taça de ouro entregue temporariamente ao vencedor do torneio, sendo que o local escolhido para sediar em 1930 o primeiro campeonato mundial foi o Uruguay.
Segundo as regras estabelecidas, o país que conquistasse o campeonato por três vezes teria então direito à posse definitiva do cobiçado troféu, que em 1946 recebeu o nome de Taça Jules Rimet, em homenagem ao principal idealizador da Copa do Mundo de futebol.
Com uma derrota para a Iugoslávia e uma vitória sobre a Bolívia, a seleção do Brasil, representada apenas por atletas do Rio de Janeiro, teve uma passagem discreta no torneio, que contou com a participação de 13 países. 
Na decisão entre uruguaios e argentinos, os  donos da casa ─ os bicampeões olímpicos de 1924 e 1928 ─ venceram por 4 a 2 e o Uruguay se consagrou como o primeiro país campeão mundial de futebol. 
https://www.tumblr.com/standardtjukebox/806727243775754240/coral-da-joab-pra-frente-brasil

sábado, 28 de fevereiro de 2026

A UTOPIA DE SÃO TOMÁS MORUS

Escritor, filósofo e chanceler da Inglaterra no tempo do rei Henrique VIII, Thomas More foi um dos principais pensadores humanistas do período histórico do Renascimento. Nascido em Londres aos 7 de fevereiro de 1478, tornou-se célebre como o autor do livro "Utopia", um clássico da literatura universal, publicado em 1516.
No formato das narrativas de viagem, um estilo sempre atual e muito em voga nos tempos das "Grandes Navegações", o livro relata de maneira ficcional as experiências vividas pelo aventureiro Rafael Hitlodeu, que faz um intercâmbio entre a Europa e as sociedades dos outros mundos distantes, ainda desconhecidos na época. 
Ao chegar ao reino da ilha de Utopia, Rafael acredita ter finalmente encontrado um modelo de sociedade ideal. Por trás da descrição de um sistema perfeito de organização social, Morus faz uma crítica contundente aos costumes políticos europeus. 
“Utopia” foi considerado um manifesto de protesto contra o modelo da sociedade feudal infestada de corrupção, favorecimentos espúrios, injustiças sociais, marginalização das classes menos favorecidas, iniquidade das leis, violação de direitos e outras tantas mazelas que mesmo nos dias de hoje, em pleno século XXI, continuam a afligir a humanidade.
Ao retratar o mundo percorrido pela personagem, o autor alerta no início do livro que não interessava narrar as desventuras e tragédias presenciadas no percurso da viagem, nem mesmo as agruras passadas contra os terríveis “monstros marinhos”, sempre prontos para atacar os navios naquelas longas travessias.
Para o autor, tais tipos de percalços já são por todos bem conhecidos, de outras tantas narrativas. O inusitado ─ e mesmo improvável ─ seria encontrar um novo tipo de sociedade ideal, onde todas pessoas pudessem viver em harmonia e comunhão.
"Seria muito extenso se eu relatasse, aqui, tudo o que Rafael viu em suas viagens. Aliás, não é essa a finalidade desta obra. Completarei talvez a sua narrativa num outro livro em que darei detalhes, principalmente, dos hábitos, costumes e das sábias instituições dos povos civilizados que frequentou Rafael. Sobre essas graves questões, nós o importunamos com perguntas intermináveis, e ele consentia, prazeirosamente, em satisfazer a nossa curiosidade. Nós nada lhe perguntamos sobre esses monstros famosos que já perderam o mérito da novidade: Cila, Celenos, Lestrigões, comedores de gente, e outras harpias da mesma espécie, que existem em quase toda parte. O que é raro, é uma sociedade sã e sabiamente organizada" (Trecho do primeiro capítulo do livro Utopia).
O próprio More, apesar da boa posição social que desfrutava, acabou vítima da incompreensão e da injustiça reinante em sua época, ao ser condenado à morte por se recusar a aceitar a nova ordem político-religiosa imposta pelo rei Henrique VIII ─ o anglicanismo. 
Sua condenação foi considerada uma das mais graves e injustas sentenças já aplicadas pelo Estado contra um homem de honra. Pela atitude despótica de uma vingança pessoal do monarca, Thomas More foi executado no dia 6 de julho de 1535, em Londres, e declarado santo pela igreja católica em 1935.