terça-feira, 7 de julho de 2026

BARQUEIRO QUE EU SOU

Conheço o rio, o rio me conhece: entre suas margens iguais, sobre suas ondas iguais, minha vida se desenrola neutra, esquecida do mundo.
Já nem sei mais há quanto tempo sou prisioneiro dessas margens. 
Minha memória não guarda nada mais que essas ondas iguais, essas margens iguais, que são todo o meu horizonte.
Só o rio me conhece, conhece essa vida que se desenrola – neutra, esquecida do mundo – como essas plantas aquáticas, que o tédio consome.
Ah, o tédio! 
Toda uma existência e apenas esse rio, essas ondas iguais, sempre iguais, essas margens, que são todo o meu horizonte.
Dentro de mim há algumas memórias, sim: coisas passadas, cores, ideias. 
Mas são apenas coisas, cores, idéias do rio, desse rio inexoravelmente o mesmo, sempre silencioso e determinado, como meu próprio tédio.
Tédio de existir sempre prisioneiro de duas margens iguais, ao balanço de ondas iguais, sempre indiferentes à angústia dessas plantas anônimas, neutras como a minha vida, como ela consumidas em tédio.
A margem esquerda... 
A margem direita...
Pouco importa o lado de que fiquem, elas são iguais: o meu horizonte. 
Todo o meu horizonte.
Se vos acercásseis de mim agora, se me dissésseis:
─ Oh, barqueiro! Leva-me desta àquela margem!
Eu vos levaria.
Desta àquela margem.
Eu sou um barqueiro: essa a minha missão.
Entretanto sei que não existe essa, nem aquela margem, mas apenas a margem, não importa o lado de que fique, nem porque idas de uma para outra.
Porque uma vez atravessado o rio, ir-vos-eis, mas convosco não irá o barqueiro, nem vos lembrareis mais do barqueiro.
Porque não conheceis o meu tédio.
Esse tédio imenso, esse tédio esmagador de viver entre duas margens iguais, sobre neutras ondas iguais, de só conhecer o rio e só ser conhecido pelo rio.
De se consumir assim, como essas anônimas plantas aquáticas, que se consomem no tédio.
Perguntareis: 
─ Oh, barqueiro, quem és, enfim, donde vens?
Responderei, mas minha resposta não vos satisfará.
Eu só posso dizer que sou um barqueiro e que venho da outra margem. 
A outra margem horrivelmente igual, infinitamente igual a esta.
Mas, em verdade, não vos importa saber quem sou e donde venho, pois, atravessando o rio, ir-vos-eis e não irá convosco o barqueiro e esquecereis o barqueiro.
Pois não conheceis o que é esse meu tédio.
O tédio das margens iguais.
Às vezes, pressinto que o vento que sopra quer me segredar qualquer coisa.
A brisa é tão doce quando o crepúsculo se abate sobre o meu tédio.
As plantas se curvam docilmente ao toque da brisa, ao crepúsculo; parece-me então ouvir misteriosas vozes, vozes do vento. 
Mas já não sei mais entender o vento e o vento passa e o meu tédio fica.
Depois vem a noite...
O barco, ao relento, balança ao balanço das ondas iguais.
O céu transparente parece que brilha no fundo do rio.
– Barqueiro! Barqueiro!
Será que as estrelas me chamam em noites assim?
O sonho...
Não! 
O tédio.
Que sabe um pobre barqueiro de sonhos?
O tédio.
Que sabe um pobre barqueiro de fantasias?
A fantasia...
O tédio.
– A fantasia! A fantasia!
A fuga pelo espírito! 
Por que não romper as cadeias que pesam, que tolhem, que inibem?
O sonho...
Por que suportar o horizonte das margens? 
Das margens iguais, infinitamente iguais?
– Barqueiro!
As vozes do vento. 
As vozes das estrelas.
– Barqueiro... Barqueiro... Barqueiro...
– Que sois? De onde viestes quebrar o meu tédio? O vento vos trouxe? Viestes do céu? Será que o delírio tomou minha mente?

– Nós somos do mundo do sonho
Das fantasias humanas
Ouvimos a tua angústia
Sentimos a tua angústia
Nascemos da tua angústia
O teu tédio nos gerou
No fundo das águas
Na luz das estrelas
No vento que sopra
No caule das plantas
Nos velhos castelos
Nos velhos navios
Jazíamos à espera do teu grito
E nos geraste assim
Nós nascemos assim
Dos gritos de tédio é que nasce a fantasia.

Quem é que me chama em noites assim? 
Que seres rondarão o meu rio? 
Que querem esses seres?
Que vozes são estas?
É o sonho que vem...
– Barqueiro!
É o sonho...
– Barqueiro!
Que se quebrem as cadeias do tédio. 
Rompa-se esse horizonte triste de margens iguais.
Oh, seres do mundo impossível, oh, seres queridos!
Vinde, oh, filhos do meu tédio, libertai-me da realidade.
Vinde! 
Aparecei!
*Marçal Arreguy

quarta-feira, 1 de julho de 2026

MENSAGENS BÍBLICAS ─ MARCOS 4, 10-20


Quando Jesus ficou sozinho, os Doze e outros que estavam ao redor lhe fizeram perguntas acerca das parábolas. E Jesus lhes disse: 
­─ A vocês foi dado o mistério do Reino de Deus, mas aos que estão fora tudo é dito por parábolas, para que, ainda que vejam, não percebam; ainda que ouçam, não entendam; de outro modo, poderiam converter-se e ser perdoados!
Então Jesus lhes perguntou: 
─ Vocês não entendem esta parábola? Como, então, compreenderão todas as outras? O semeador semeia a palavra. Algumas pessoas são como a semente à beira do caminho, onde a palavra é semeada. Logo que a ouvem, Satanás vem e retira a palavra nelas semeada. Outras, como a semente lançada em terreno pedregoso, ouvem a palavra e logo a recebem com alegria. Todavia, visto que não têm raiz em si mesmas, permanecem por pouco tempo. Quando surge alguma tribulação ou perseguição por causa da palavra, logo a abandonam. Outras ainda, como a semente lançada entre espinhos, ouvem a palavra; mas, quando chegam as preocupações desta vida, o engano das riquezas e os anseios por outras coisas, sufocam a palavra, tornando-a infrutífera. Outras pessoas são como a semente lançada em boa terra: ouvem a palavra, aceitam-na e dão uma colheita de trinta, sessenta e até cem por um.

quarta-feira, 27 de maio de 2026

A PRIMEIRA COPA DO MUNDO DE FUTEBOL

A difusão dos esportes organizados no mundo é uma característica histórica da chamada Era Contemporânea, como consequência sociológica do processo de industrialização e globalização a partir do início do século XIX.
No rastro da expansão da cultura europeia para os quatro cantos do planeta, desenvolveu-se a sistematização das regras de várias modalidades esportivas, com a consolidação de torneios locais em clubes e escolas, especialmente nas cidades industriais.
Tendo como inspiração os primeiros jogos olímpicos de 1896 em Atenas, a realização de grandes competições internacionais foi um fenômeno típico do século XX, quando foram criadas as primeiras copas mundiais. 
A FIFA – federação internacional de futebol ─ foi fundada em 1904, com o objetivo de promover entre as nações os torneios de futebol, um esporte muito popular que já fazia parte da segunda edição das olimpíadas em Paris, no ano 1900.
Por volta desta época o "ludopédio" chegou à América do Sul e logo caiu no gosto de todos; personalidades como Charles Miller e Belfort Duarte se destacaram em São Paulo e no Rio de Janeiro respectivamente na promoção e na organização dos primeiros jogos de futebol no Brasil.
Durante o século XX o chamado “nobre esporte bretão” se espalharia por todas as nações, tornando-se o esporte mais popular do mundo, sinônimo de diversão e amistosidade.
Em dezembro de 1914, por exemplo, ainda no início dos conflitos da primeira grande guerra mundial, quando soldados franceses e alemães se entrincheiravam para o combate, foi estabelecido um breve armistício no campo de batalha.
Assim foi improvisada de forma espontânea e simbólica uma partida de futebol entre os soldados inimigos, para celebrar aquele breve instante de paz, no episódio histórico conhecido como a Trégua do Natal de 1914.
Servindo como uma metáfora da representação social, incorporando valores culturais, regionais e étnicos, o futebol adquiriu de fato uma espécie de status diplomático nas relações entre as nações.
No entanto muitas vezes o esporte foi indevidamente usado por governos totalitários como instrumento de propaganda, para enaltecer as virtudes da própria nacionalidade em detrimento das demais, desvirtuando a finalidade mais nobre e principal das disputas esportivas entre os países.
Na Europa do início da década de 1920, após o catastrófico balanço dos efeitos nefastos da primeira grande guerra mundial, diante da imperiosa necessidade de se promover um convívio harmônico entre os países, governos e entidades da sociedade civil implementaram várias iniciativas internacionais de confraternização e celebração da paz.
No âmbito da política global, uma dessas ações foi a criação da Liga das Nações em 1919, que, embora não tenha conseguido evitar a ocorrência da segunda guerra mundial, serviu como fonte embrionária para a criação da Organização das Nações Unidas (ONU) em 1945.
Neste esforço de pacificação durante o período histórico denominado "entre-guerras", que vai de 1919 a 1939, um grupo de empreendedores e apreciadores do futebol, liderados pelo advogado e dirigente esportivo franco-suíço Jules Rimet, começou a organizar no âmbito da FIFA um campeonato mundial, no intuito de viabilizar a aproximação e a integração entre as nações do planeta.
Em 1928 foi lançada a ideia de uma Copa do Mundo, disputada em um país diferente a cada 4 anos e representada por uma taça de ouro entregue temporariamente ao vencedor do torneio, sendo que o local escolhido para sediar em 1930 o primeiro campeonato mundial foi o Uruguay.
Segundo as regras estabelecidas, o país que conquistasse o campeonato por três vezes teria então direito à posse definitiva do cobiçado troféu, que em 1946 recebeu o nome de Taça Jules Rimet, em homenagem ao principal idealizador da Copa do Mundo de futebol.
Com uma derrota para a Iugoslávia e uma vitória sobre a Bolívia, a seleção do Brasil, representada apenas por atletas do Rio de Janeiro, teve uma passagem discreta no torneio, que contou com a participação de 13 países. 
Na decisão entre uruguaios e argentinos, os  donos da casa ─ os bicampeões olímpicos de 1924 e 1928 ─ venceram por 4 a 2 e o Uruguay se consagrou como o primeiro país campeão mundial de futebol. 
https://www.tumblr.com/standardtjukebox/806727243775754240/coral-da-joab-pra-frente-brasil

NO QUARTEL DE ABRANTES

Muitos analistas de geopolítica costumam comparar a atual decadência dos Estados Unidos com o processo histórico de ascensão e queda do império romano. 
De fato há alguns pontos de convergência entre estas duas situações distantes cerca de dois mil anos entre si, afinal a experiência romana serve como parâmetro para várias situações sociopolíticas que se sucedem na História.
Os romanos chegaram à Inglaterra no ano 55 a.C., quando Júlio César atravessou o canal da Mancha com o objetivo inicial de reconhecimento militar e imposição de tributos. 
A invasão definitiva só ocorreu cem anos depois, em 43 d.C., sob o comando do imperador Cláudio, fundador da província romana da Britânia, que perdurou até 410 d.C..
Antes de Cláudio, porém, o imperador Calígula tinha feito diversas tentativas de invasão da ilha, transformando a missão de subjugar a Inglaterra em plataforma política e matéria de propaganda.
Impossibilitado de avançar no seu propósito, Calígula forjou uma conquista que nunca existiu, em uma operação militar teatral que mobilizou cerca de 200 mil soldados romanos.
Para ludibriar a população romana, Calígula selecionou entre seus próprios homens aqueles que tinham a aparência física dos ingleses, deixando-os alguns dias encarcerados sob privações e penúrias. 
Depois o tirano desfilou com esses estropiados pelas ruas de Roma, como se eles fossem prisioneiros de guerra.

domingo, 24 de maio de 2026

O FIM DOS BEATLES

Durante o período da beatlemania, nos primeiros anos da década de 1960, a grande mídia adorava elogiar e jogava o quarteto de Liverpool lá pra cima, sempre enaltecendo e louvando os trabalhos do grupo. 
Mas quando os quatro cabeludos ficaram maduros e começaram a compor músicas elaboradas com temas mais polêmicos, os meios de comunicação passaram a perseguir e a desmerecer a banda.
Jornalistas "especializados" também já estavam incomodados com o teor das novas canções como Norwegian Wood e Day Tripper, por exemplo, que faziam certas alusões ao sexo e às drogas.
Na excursão ao Japão em junho de 1966, a realização dos shows dos Beatles no ginásio sagrado das lutas marciais, o Budokan, havia gerado grandes protestos e questionamentos.
No mês seguinte o incidente nas Filipinas com o ditador Ferdinand Marcos foi o estopim desta virada de mesa, quando em apenas dois meses os Beatles passaram de herois a vilões.
De volta ao verão da Inglaterra para gravar o novo disco, estava sendo disputada no país a Copa do Mundo de futebol e para melhorar o clima a produção dos Beatles tentou fazer uma gravação promocional com Pelé, o superastro da grande seleção brasileira, bicampeã mundial de 1958 e 1962.
A comissão técnica do Brasil vetou a iniciativa, alegando que seria um fator de distração que causaria um grande rebuliço, prejudicando a concentração dos jogadores naquele tão importante torneio.
No início de agosto foi lançado o revolucionário disco Revolver, com músicas muito diferentes daquelas que os Beatles faziam, o que certamente chocou aqueles que esperavam alguma trilha ingênua do tipo "iê-iê-iê".
Ainda em agosto, uma revista dos Estados Unidos "requentou" uma entrevista já esquecida de John Lennon para um tablóide londrino, na qual na verdade ele reclamava do fanatismo pelos Beatles e da dissonância da instituição religiosa com os jovens, sugerindo que a banda seria mais popular do que o cristianismo.
Os fundamentalistas estadunidenses dessas seitas que criam figuras obscuras como o assassino de Lennon, encontraram nesta despretensiosa entrevista uma oportunidade de inverter o que ele havia dito para crucificá-lo, denunciando que ele havia declarado que os Beatles eram mais populares que Jesus Cristo.
Por causa disso alguns movimentos "religiosos" dos Estados Unidos organizaram reuniões em praças públicas para a queima coletiva dos discos e de qualquer merchandising que se referisse aos Beatles, como camisetas, posters e suvenires.
Durante a turnê pelos Estados Unidos neste mesmo mês de agosto, algumas organizações de fanáticos, como a clandestina Ku Klux Klan, faziam ameaças violentas de atentados nas cidades em que os Beatles se apresentavam.
Neste clima pesado o quarteto de Liverpool fez o último show da sua carreira, na cidade de San Francisco, Califórnia, no dia 29 de agosto.
Com a ausência de shows e um disco tão fora-da-curva como Revolver, no final de 1966 a mídia corporativa internacional convenientemente decretou o fim dos Beatles.

quarta-feira, 20 de maio de 2026

PERSONALISMO SOCIOPÁTICO

O personalismo sociopático é um condicionamento psíquico marcado por um egocentrismo exacerbado, que demonstra desdém às normas sociais, com completa insensibilidade pelos sentimentos alheios. 
Existem muitas pessoas com esse tipo de perfil individualista ao extremo, as quais não sentem por isso nenhuma culpa ou remorso, focando-se exclusivamente nas suas vontades próprias.
Enquanto no plano individual esta condição está associada a um distúbio denominado Transtorno de Personalidade Antissocial, esse padrão comportamental possui dimensões mais específicas quando elevado ao patamar das relações coletivas. 
A crença em salvadores da pátria, por exemplo, no âmbito da política eleitoral, é uma espécie de vício cultural que atinge muitas vezes o nível de uma verdadeira doença social.
Seguem algumas características da postura de muitos políticos inescrupulosos que exploram a boa-fé de grupos coletivos com um indisfarçado apelo personalista:
1) Manipulação e charme ─ frequentemente usam uma fachada de simpatia para ludibriar e explorar as pessoas de boa vontade;
2) Impulsividade ─ agem por instinto, demonstrando quase sempre muita irritabilidade e agressividade;
3) Ausência de empatia ─ apresentam enorme dificuldade em assimilar e convalidar o sofrimento alheio;
4) Mentiras compulsivas ─ recorrem à uma constante dissimulação para obter benefícios pessoais.
Esse traço psicológico costuma se manifestar já no início da juventude e perdura pela vida afora, sendo que individualmente pode ser tratado através de terapias próprias.
Entretanto, no plano coletivo, consiste em um desafio diário tentar compreender a complexidade das suas implicações, para enfim repelir com eficácia este tipo nefasto de comportamento.

domingo, 19 de abril de 2026

THE DREAM TEAM

OLIMPÍADAS DE BARCELONA 1992

Retrospecto da equipe masculina de basquete dos Estados Unidos


Grupo A:

EUA 116 x 48 Angola

EUA 103 x 70 Croácia

EUA 111 x 68 Alemanha

EUA 127 x 83 Brasil

EUA 122 x 81 Espanha

Quartas de Final:

EUA 115 x 77 Porto Rico

Semifinal: 

EUA 127 x 76 Lituânia

Final:

EUA 117 x 85 Croácia

Desde o início eles já foram carimbados como a equipe medalhista de ouro nas Olimpíadas de 1992. Tanto a mídia como os fãs de basquete e seus próprios adversários concordavam que esse time seria imbatível. E foi.

Apresentando os melhores dos melhores do basquete profissional, o time principal dos EUA ainda não tinha sido desafiado depois que as regras internacionais que impediam profissionais da NBA de participar dos jogos olímpicos foram alteradas pela FIBA em 1989.

Com a mudança da regra, os estadunidenses se propuseram a montar o melhor time de basquete possível. E que time o USA Basketball montou!

Depois de passar pelo torneio de qualificação olímpica com um recorde imaculado de 6-0, o Dream Team atropelou com a mesma facilidade seus adversários nas Olimpíadas em Barcelona, registrando um recorde de 8-0 na conquista da medalha de ouro.

Estreando contra Angola, com 24 pontos de Barkley, o time dos EUA conquistou uma vitória contundente por 116 a 48. Um dia depois, contra a talentosa equipe croata o Dream Team conseguiu uma vitória de 33 pontos, com 103 a 70. Jordan foi o cestinha com 21 pontos.

O time teve vida fácil contra a sólida seleção da Alemanha,  com uma vitória de 111 a 68, com Bird, que estava machucado com uma lesão nas costas, voltando à sua forma "all-star" pra liderar o ataque com 19 pontos.

Sete jogadores do Dream Team pontuaram em dois dígitos e Barkley estabeleceu um recorde olímpico de pontuação em uma única partida, com 30 pontos na vitória sobre o Brasil por 127 a 83. Fechando a fase classificatórIa contra a anfitriã Espanha, o Dream Team venceu com tranquilidade por 122 a 81.

Avançando para as quartas de final, Mullin contabilizou 21 pontos da equipe na vitória sobre Porto Rico por 115 a 77. No encontro da semifinal com a Lituânia ─ um time cheio de talentos, que contou com quatro dos seis melhores jogadores da equipe soviética medalha de ouro nos jogos de Seul em 1988  os EUA impôs um placar de 11 a 0 no começo e logo saltou pra 34 a 8, abrindo uma vantagem que deixou a partida fora do alcance do adversário, com uma vitória impressionante de 127 a 76, com nove jogadores dos EUA marcando dois dígitos.

Disputando com a Croácia a decisão, os EUA voltaram a prevalecer na revanche, desta vez com uma vantagem de 32 pontos, com o placar de 117 a 85. Jordan liderou o placar com 22 pontos.

Com um recorde olímpico de 117,3 pontos de média por jogo, o Dream Team venceu todas as partidas, com uma média de 43,8 pontos de vantagem sobre os adversários. O mais próximo que uma seleção chegou foi uma diferença de 32 pontos, na final contra a Croácia.

OS JOGADORES

14 Charles Barkley (F)

7 Larry Bird (F)

10 Clyde Drexler (G)

6 Patrick Ewing (C)

15 Earvin Johnson (G)

9 Michael Jordan (G)

4 Christian Laettner (F)

11 Karl Malone (F)

13 Chris Mullin (F)

8 Scottie Pippen (F)

5 David Robinson (C)

12 John Stockton (G)

 "Você verá uma equipe de profissionais nas Olimpíadas de novo, mas não acho que verá outra como essa. Era um time majestoso".

CHUCK DALY
 Treinador do Dream Team

sábado, 28 de fevereiro de 2026

A UTOPIA DE SÃO TOMÁS MORUS

Escritor, filósofo e chanceler da Inglaterra no tempo do rei Henrique VIII, Thomas More foi um dos principais pensadores humanistas do período histórico do Renascimento. Nascido em Londres aos 7 de fevereiro de 1478, tornou-se célebre como o autor do livro "Utopia", um clássico da literatura universal, publicado em 1516.
No formato das narrativas de viagem, um estilo sempre atual e muito em voga nos tempos das "Grandes Navegações", o livro relata de maneira ficcional as experiências vividas pelo aventureiro Rafael Hitlodeu, que faz um intercâmbio entre a Europa e as sociedades dos outros mundos distantes, ainda desconhecidos na época. 
Ao chegar ao reino da ilha de Utopia, Rafael acredita ter finalmente encontrado um modelo de sociedade ideal. Por trás da descrição de um sistema perfeito de organização social, Morus faz uma crítica contundente aos costumes políticos europeus. 
“Utopia” foi considerado um manifesto de protesto contra o modelo da sociedade feudal infestada de corrupção, favorecimentos espúrios, injustiças sociais, marginalização das classes menos favorecidas, iniquidade das leis, violação de direitos e outras tantas mazelas que mesmo nos dias de hoje, em pleno século XXI, continuam a afligir a humanidade.
Ao retratar o mundo percorrido pela personagem, o autor alerta no início do livro que não interessava narrar as desventuras e tragédias presenciadas no percurso da viagem, nem mesmo as agruras passadas contra os terríveis “monstros marinhos”, sempre prontos para atacar os navios naquelas longas travessias.
Para o autor, tais tipos de percalços já são por todos bem conhecidos, de outras tantas narrativas. O inusitado ─ e mesmo improvável ─ seria encontrar um novo tipo de sociedade ideal, onde todas pessoas pudessem viver em harmonia e comunhão.
"Seria muito extenso se eu relatasse, aqui, tudo o que Rafael viu em suas viagens. Aliás, não é essa a finalidade desta obra. Completarei talvez a sua narrativa num outro livro em que darei detalhes, principalmente, dos hábitos, costumes e das sábias instituições dos povos civilizados que frequentou Rafael. Sobre essas graves questões, nós o importunamos com perguntas intermináveis, e ele consentia, prazeirosamente, em satisfazer a nossa curiosidade. Nós nada lhe perguntamos sobre esses monstros famosos que já perderam o mérito da novidade: Cila, Celenos, Lestrigões, comedores de gente, e outras harpias da mesma espécie, que existem em quase toda parte. O que é raro, é uma sociedade sã e sabiamente organizada" (Trecho do primeiro capítulo do livro Utopia).
O próprio More, apesar da boa posição social que desfrutava, acabou vítima da incompreensão e da injustiça reinante em sua época, ao ser condenado à morte por se recusar a aceitar a nova ordem político-religiosa imposta pelo rei Henrique VIII ─ o anglicanismo. 
Sua condenação foi considerada uma das mais graves e injustas sentenças já aplicadas pelo Estado contra um homem de honra. Pela atitude despótica de uma vingança pessoal do monarca, Thomas More foi executado no dia 6 de julho de 1535, em Londres, e declarado santo pela igreja católica em 1935.