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sexta-feira, 14 de agosto de 2026

CRÔNICAS DA REVOLUÇÃO ─ FIDEL NO BRASIL

Em maio de 1959, quatro meses após o triunfo da Revolução Cubana, Fidel Castro veio ao Brasil para uma visita protocolar histórica. 
O governo brasileiro foi um dos primeiros a reconhecer a legitimidade do novo regime revolucionário da ilha caribenha e a visita do líder cubano era um sinal de agradecimento.
A passagem de Fidel pelo Brasil fez parte de um esforço do presidente Juscelino Kubitschek para articular no continente a chamada Operação Pan-Americana (OPA), destinada a promover o desenvolvimento nos países da região.
Fidel cumpriu uma extensa agenda oficial e foi recebido com entusiasmo por políticos, estudantes e empresários. 
Em um almoço oferecido por JK, o comandante fez um discurso "rápido", de apenas 3 horas, referindo-se sempre ao Brasil como "um irmão maior”.
Exaltou a iniciativa da Operação Pan-Americana, defendeu a reforma agrária e a justiça revolucionária do seu país e criticou a ausência de investimentos norte-americanos na América Latina. 
Depois de um encontro com o ministro da guerra Teixeira Lott, Fidel compareceu à sede da União Nacional dos Estudantes no Rio de Janeiro, onde debateu longamente com cerca de 300 jovens. 
Finalmente o dirigente cubano compareceu a um jantar cerimonial em São Paulo, com a presença de políticos e empresários. 
Apresentado ao prefeito Ademar de Barros, o famoso rouba-mas-faz, que manifestou o seu desagrado com o uso do “paredón” pelo tribunal revolucionário em Cuba, Fidel irônicamente o tranquilizou: 
— Não se preocupe, estamos fuzilando só os grandes ladrões do dinheiro público!

sábado, 25 de julho de 2026

2026 ─ CENTENÁRIO DO NASCIMENTO DE FIDEL CASTRO

    "Nossa grandeza às vezes não é vista, porque é invisível para alguns; não é comercializada, porque não tem valor comercial. Não se esconde, porque é digna e pura. Mas, sim, ela pode ser sentida: nos povos libertados, nos doentes tratados e na cura aprimorada, na alfabetização e na instrução do povo, no atleta formado, no artista exposto. E nossos inimigos também sentem isso. Eles sentem tanto que todos os dias fazem planos para acabar com essa grandeza. É por isso que eles nos odeiam, pela ideia que representamos, pelo exemplo que estabelecemos. Mostramos que, com vontade e coragem, outro mundo, sim, é possível”.

MOVIMIENTO 26 DE JULIO

Neste ano que celebramos o centenário do nascimento de Fidel Castro é importante relembrar o que representa o Movimento 26 de Julho na história da revolução cubana.
A data, do ano de 1953, refere-se ao primeiro levante contra o regime autoritário do ditador Fulgêncio Batista, que no ano anterior havia tomado o poder com um golpe militar, promovendo a ruptura democrática na ilha caribenha.
Fidel era então um jovem advogado, filho de fazendeiro, que defendia basicamente os valores da democracia liberal. 
Por isso a indignação que o levou a tomar a drástica atitude de liderar um ataque militar ao Quartel de Moncada, na cidade de Santiago de Cuba, no dia 26 de julho de 1953.
A rebelião fracassou, muitos rebeldes foram mortos e o líder do grupo Fidel Castro foi preso, junto com alguns companheiros que se salvaram do embate contra as forças do governo.
Condenado a 15 anos de prisão, Fidel declarou no seu julgamento a célebre frase: "a História me absolverá".
Libertados após dois anos por uma anistia conquistada em uma campanha popular, Fidel e seus companheiros fundaram o Movimiento 26 de Julio, no dia 12 de junho de 1955, com o objetivo de restaurar a democracia em Cuba, nem que fosse na bala. 
Em seguida os rebeldes foram obrigados a deixar o país e exilaram-se no México, onde iniciaram na clandestinidade os treinamentos militares para um novo levante contra o governo Batista. 
Foi neste período que Fidel conheceu Che Guevara na Cidade do México, um aventureiro recém formado em Medicina.
Che por acaso havia estado na Cidade da Guatemala em 1954, quando os Estados Unidos derrubaram o governo de Jacobo Árbens com um ataque militar, impondo aos guatemaltecos uma ditadura submissa aos interesses de Washington.

segunda-feira, 13 de outubro de 2025

BRIZOLA E A OPERAÇÃO CONDOR

Leonel Brizola em frente ao Hotel Roosevelt, onde ficou hospedado na sua passagem histórica por Nova York (1978).
Os mais incautos podem acreditar que o regime militar no Brasil foi menos violento do que as demais ditaduras da América do Sul, tendo como base o número de cidadãos assassinados, torturados e desaparecidos. 
Mas é inquestionável que a ditadura brasileira foi a pioneira na região, servindo de trampolim estrutural para a disseminação da idelogia militarista ─ golpista e autoritária ─ no chamado Cone Sul.
Especialmente a partir do golpe do general Pinochet no Chile, em setembro de 1973, os governos militares sulamericanos, sob os auspícios dos EUA (governo Nixon), começaram a coordenar suas ações dentro de um plano estratégico global de extermínio do inimigo ─ a Operação Condor.
Leonel Brizola, por exemplo, depois do golpe militar de 1964 no Brasil, viveu dez anos de exílio no Uruguay, até que a ditadura militar também chegou por lá (1973), revogou sua condição de exilado e o expulsou do país. 
O político gaúcho teve que se transferir pra Buenos Aires, mas logo os militares tomaram o poder na Argentina (1976), obrigando Brizola a fugir pra outro lugar.
Os tentáculos da Operação Condor atingiram vários líderes políticos, como os ex-presidentes do Brasil Juscelino Kubitscheck e João Goulart, mortos em situações muito suspeitas. 
Brizola provavelmente seria o próximo a ser eliminado, mas as vicissitudes do destino lhe lançaram uma tábua de salvação.
Com a ascenção do democrata Jimmy Carter à presidência dos Estados Unidos (1977), que implantou uma política de direitos humanos no seu país, os regimes militares sulamericanos perderam seu principal apoio. 
Enquanto a longa ditadura brasileira começava a dar sinais de decadência, os demais países vizinhos ainda radicalizavam seus processos internos, com uma explosão brutal de violência dos governos militares na região.
A partir de 1977 os EUA pararam (temporariamente) de prestigiar regimes autoritários na América do Sul e suspenderam a Operação Condor, criando um mal-estar com as ditaduras militares do sul.
O governo Carter ofereceu asilo a Brizola, que assim pôde se refugiar em Nova York até 1979, quando uma lei de anistia aprovada no Brasil possibilitou o retorno de todos exilados.