Uma semana após ter sido libertada, em 5 de setembro de 1979, Inês Etienne Romeu prestou um depoimento histórico no Conselho Federal da Ordem dos Advogados do Brasil, no qual revelou as práticas recorrentes de tortura e assassinato de militantes políticos utilizadas por agentes do governo militar como método de investigação.
Até então a atividade terrorista do Estado brasileiro era um assunto proibido e só veio à tona aos poucos, a partir da redemocratização no começo da década de 1980. Em boa parte, o processo inicial de revelação dos crimes cometidos pelo regime militar ganhou força graças à coragem de Inês, que, ainda em plena ditadura do general Figueiredo, acusava publicamente o regime militar de cometer todas aquelas atrocidades.
A localização da casa de tortura em Petrópolis ─ a chamada "casa da morte" ─ só foi descoberta em 1981, por esforço de investigação da própria Inês e do jornalista Antônio Henrique Lago, que procuraram exaustivamente em catálogos telefônicos um número que ela tinha guardado na memória.
A única pista que Inês tinha, além daquele número, era de que a casa para onde ela foi levada ─ pelo movimento do veículo, já que ela foi encapuzada ─ era localizada em um lugar serrano, não muito longe do Rio de Janeiro. Catálogos de várias cidades tiveram que ser pesquisados, até que o número foi encontrado: uma casa em Petrópolis, cujo proprietário era um tal Mário Lodders.
Durante este período Inês deu uma entrevista para o jornal O Pasquim e também fez denúncias em outros órgãos de imprensa, até que agentes clandestinos das Forças Armadas começaram a explodir bombas nas bancas de jornais. Em 27 de agosto de 1980 enviaram uma carta-bomba à sede do Conselho Federal da OAB no Rio de Janeiro, matando a secretária Lyda Monteiro.
A ação terrorista de grupos militares culminaria no episódio do Riocentro em 1981. Logo em seguida a ditadura entrou em colapso, especialmente pelos resultados das eleições gerais de 1982. A cristalização da consciência coletiva a respeito dos crimes cometidos pelo regime militar finalmente ocorreu com o livro-documento "Brasil: Nunca Mais", publicado em 1985 pela arquidiocese de São Paulo e por outras entidades religiosas.
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