5 ─ A GUERRA FRIA

O processo de competição entre Estados Unidos e União Soviética marcou a segunda metade do século XX, como uma mera repetição dos métodos da velha política imperialista europeia. Foi como se a lição de duas grandes guerras mundiais não tivesse sido suficiente para despertar a humanidade. Com efeito, o embate ideológico entre o leste socialista e o oeste capitalista levou o mundo a um verdadeiro caos socioeconômico e a um colossal descontrole ambiental.
No auge do conflito entre as duas grandes potências nucleares, as ações de praticamente todas os demais países do mundo eram dirigidas por uma cultura econômica depredatória e militarista. A tragédia de uma possível guerra atômica, capaz de provocar por si mesma a destruição do planeta, configurou-se enfim como uma ameaça concreta e fulminante à epopeia do ser humano sobre a Terra.
       Neste sentido, o fim da Guerra Fria, simbolizado pela queda do Muro de Berlim em 1989, trouxe enormes avanços no campo ambiental, dentro de um novo cenário internacional mais favorável à adoção de medidas globais em relação à diversas questões ecológicas. A substituição do sistema de competição depredatória dos recursos naturais por um novo modelo sustentável de produção econômica passou a ser o grande desafio das sociedades humanas para o século XXI.
A consciência ecológica de fato floresceu simultaneamente ao processo de pacificação entre as duas superpotências a partir da década de 1970, através de seguidos tratados bilaterais de redução de armas nucleares e outros artefatos bélicos. Muitos regimes políticos militares autoritários ao redor do mundo foram substituídos por governos civis e democráticos, favorecendo a formação de um novo pacto social para uma mudança gradual nos objetivos e compromissos da economia mundial, particularmente em relação à proteção do meio ambiente do globo terrestre como um todo.
Contudo, esta mudança de mentalidade somente foi possível depois que o número de desastres ambientais aumentou de forma avassaladora, passando a ameaçar efetivamente a sobrevivência dos seres humanos em diversas regiões ambientalmente degradadas. Com o surgimento de problemas globais de alta complexidade e o agravamento dos índices de poluição na atmosfera e nas águas, os países mais desenvolvidos foram forçados a assumir a liderança e a responsabilidade na defesa do equilíbrio ecológico do planeta, através de iniciativas concretas para promover a modificação do modelo econômico predominante.
Os excessos praticados pelos agentes econômicos em busca de um lucro excessivo e selvagem, nos moldes do velho sistema capitalista dos séculos XIX e XX, já não podem mais prevalecer nos dias atuais. Foi-se o tempo da ilusão de uma abundância infinita de recursos naturais, característica dos primórdios do chamado “milagre” da Revolução Industrial. Além do inevitável esgotamento das fontes de matérias-primas, a Natureza já não é mais capaz de absorver por si mesma a imensa quantidade de lixo produzido pelas tão diversificadas e complexas atividades da civilização contemporânea.


CONSCIÊNCIA AMBIENTAL
PERSPECTIVAS ECOLÓGICAS PARA O SÉCULO XXI

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