3 ─ ECOLOGIA E JUSTIÇA SOCIAL

A partir do século XIX, o processo histórico de competição entre os estados nacionais pelas conquistas econômicas da Revolução Industrial levou o planeta a uma situação de caos social e ecológico, gerando um problema extremamente complexo de difícil solução. Os desastres ambientais que sistematicamente ocorrem na história recente da humanidade são sintomas de um desequilíbrio socioeconômico e da precária condição de vida da maioria das populações da Terra.
Tornou-se inadiável uma mudança radical no atual modelo de produção e consumo de bens e energia, com base no petróleo, na radioatividade e em muitas outras substâncias químicas nocivas ao meio ambiente. Será necessário implantar um novo modelo que seja econômica e ambientalmente sustentável, utilizando fontes renováveis de matéria prima e de energia limpa, como o Sol, o vento, os biocombustíveis e a biomassa.
       Para preservar as condições de vida no planeta precisamos adotar com urgência medidas inovadoras e permanentes de saneamento ambiental, com a substituição e a reciclagem das matérias-primas que a população utiliza no dia-a-dia. Por isso a conscientização ecológica de todos povos do planeta é um fator fundamental para que novas políticas econômicas e sociais sejam efetivamente praticadas pelas comunidades humanas.
         É necessário incentivar uma nova cultura de consumo e um novo modelo de produção que permitam manter o equilíbrio ambiental dos ecossistemas da Terra. Os diversos componentes e subprodutos da indústria não podem ser causa da eliminação das variadas formas de vida natural e dos elementos essenciais de seus habitats.
      No plano social, na sociedade mundial do Terceiro Milênio existe uma assustadora desigualdade de renda e baixíssimos níveis de qualidade de vida para uma maioria de cidadãos menos privilegiados. Além dos danos ao meio ambiente físico em si, a injustiça social e a extrema pobreza de boa parte das populações do planeta estão diretamente relacionadas ao desequilíbrio ambiental.
      Neste sentido, é inquestionável que a fome e a indigência de imensos contingentes populacionais são essencialmente problemas de fundo ecológico. Um relatório da ONU sobre desenvolvimento humano, publicado em 1999, com base em 174 países, demonstra que a diferença de renda entre os 20% mais ricos da população mundial e os 20% mais pobres, medida pela renda nacional média, aumentou de 30 para 1, em 1960, para 74 para 1, em 1997. 
A distribuição mundial da renda é tão injusta que chega mesmo a ser grotesca: os ativos dos três maiores multimilionários individuais do planeta são superiores ao PIB conjunto de todos os países menos desenvolvidos e dos seus 600 milhões de habitantes. No atual fluxo internacional de riquezas, a parcela dos 20% da população que vive em países de renda mais elevada concentra 86% do PIB e 82% das exportações mundiais, enquanto que os 20% mais pobres obtém apenas 1% do PIB e das exportações. 
Paradoxalmente, a integração econômica do planeta, através do processo moderno de globalização, tem contribuído para aumentar ainda mais a desigualdade entre os povos. A mundialização do planeta tem favorecido apenas as operações comerciais e financeiras, facilitando as transações internacionais sem garantir, contudo, o desenvolvimento de políticas de direitos sociais, como se o progresso mundial dependesse apenas da livre operação dos mercados. 
A reforma das instituições financeiras e dos fóruns internacionais representa uma das principais reivindicações dos chamados “países emergentes”, para que sejam adotadas medidas efetivas de justiça social em nível global, que conduzam ao equilíbrio econômico e ao desenvolvimento sustentável para todos os países do planeta.



CONSCIÊNCIA AMBIENTAL

PERSPECTIVAS ECOLÓGICAS PARA O SÉCULO XXI

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