4 ─ COLAPSO AMBIENTAL

 Os primeiros sinais de desequilíbrio ambiental no planeta surgiram já no século XIX, através das observações dos primeiros pesquisadores chamados "conservacionistas", como por exemplo os biólogos estadunidenses Henry David Thoreau e John Muir. Ambos anteviram os danos que a evolução do processo econômico da Revolução Industrial iria causar no futuro e alertaram para a necessidade de preservação de determinados ecossistemas em algumas áreas estratégicas.
 Naquela época surgiram nos Estados Unidos as primeiras reservas florestais, como um fator determinante para a garantia da conservação permanente de diversos tipos de ambientes naturais. Mas a eclosão de duas grandes guerras mundiais no início do século XX deixaram as preocupações ecológicas em um plano secundário.
      Embora o termo "ecologia" já tivesse sido usado em 1869 pelo cientista alemão Ernst Haeckel, para definir o "estudo das relações entre os seres vivos e o ambiente em que vivem", em 1945, no final da segunda guerra, quando a Organização das Nações Unidas foi criada, a questão ambiental ainda era tratada de forma bastante precária e superficial.
    O conceito de “ambientalismo” tinha até então um sentido exótico, comumente associado a lunáticos e alienados, poetas sonhadores, cultivadores de orquídeas e caçadores de borboletas. Contudo o imenso desgaste político, econômico, social e ambiental ocorrido na segunda metade do século XX, no período conhecido como "Guerra Fria", fez ressoar em todo o planeta um grave alerta ecológico, deflagrando a formação de um movimento internacional de luta pela preservação do meio ambiente global.
      No final do século XX, com o crescente aumento das tragédias ambientais provocadas pela ação industrial das sociedades humanas em quase todas as partes do mundo, a Ecologia passou finalmente a ser prestigiada como um ramo fundamental das ciências biológicas, diante da urgência da elaboração de projetos multinacionais de preservação ambiental.
    Assim, a questão ecológica entrou definitivamente na pauta da política econômica mundial. A primeira grande conferência da ONU sobre preservação do meio ambiente foi realizada em 1972, em Estocolmo, na Suécia, tornando-se um marco histórico na evolução do pensamento político internacional em relação aos problemas ecológicos.
     A partir daí, a defesa do equilíbrio ambiental do planeta deixou de ser um tema abstrato e "romântico", para se tornar um dos principais objetivos de política governamental de todos os países, regiões e cidades da Terra. Um dos principais temas discutidos em Estocolmo foi o fenômeno atmosférico conhecido como “chuva ácida”, onde a combinação de altos volumes de dióxido de carbono com gases ricos em enxofre e azoto provoca a formação de ácidos poluentes durante o processo de precipitação das chuvas.
     A relação entre as precipitações ácidas e a poluição atmosférica já tinha sido descoberta em 1852, mas o seu estudo sistemático teve início apenas cem anos depois, no final da década de 1960. Na Universidade de Toronto, o professor Harold Harvey publicou em 1972 um dos primeiros trabalhos sobre um certo lago "morto" no Canadá, inviabilizado pela acidificação das suas águas.
Este tipo de ocorrência climática estava presente especialmente nos países mais ricos do norte. Os efeitos ambientais da precipitação ácida levaram esses países a adotar medidas restritivas à queima de combustíveis ricos em enxofre, além da exigência do desenvolvimento de tecnologias de redução das emissões do azoto reativo na atmosfera. 
Quando o atual modelo capitalista de exploração econômica surgiu, nos primórdios da Revolução Industrial, ainda não se cogitava da possibilidade de esgotamento dos recursos naturais do planeta. Embora as bases do sistema depredatório de exploração dos recursos naturais que se iniciou no século XIX já estivessem consolidadas, o encontro de Estocolmo serviu para que fossem definidos conjuntamente, por um grande número de países, os primeiros passos de um longo processo de conscientização mundial. 
O sistema produtivo perverso que preconiza a exploração voraz dos recursos naturais, vinculado a mecanismos altamente poluentes, como a indústria química e a mineração, foi sustentado historicamente por uma política de acúmulo e utilização constante de matérias-primas, em meio à competitividade bélica e tecnológica entre as nações mais ricas do planeta, que causou duas guerras mundiais e uma situação emergente de colapso ambiental no final do século XX.


CONSCIÊNCIA AMBIENTAL

PERSPECTIVAS ECOLÓGICAS PARA O SÉCULO XXI

Nenhum comentário:

Postar um comentário